Mercosul mira acordo com a China após pressão tarifária dos EUA

Navios cargueiros transportam grãos pelo rio Paraná em Rosário, Argentina
Navios cargueiros usados no transporte de grãos pelo rio Paraná, em Rosário, na Argentina. Foto: Reprodução

O Mercosul passou a tratar um possível acordo comercial com a China como sua próxima grande frente externa, depois da assinatura do pacto com a União Europeia e em meio ao aumento de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O presidente Lula (PT) discutiu o tema com o presidente chinês, Xi Jinping, no fim de julho.

Segundo o Planalto, os dois líderes defenderam acelerar o início das negociações entre o bloco sul-americano e Pequim, com “as flexibilidades necessárias”. Ainda não há cronograma formal para a abertura das conversas ou para a conclusão de um eventual entendimento.

A aproximação ganhou força após os EUA aplicarem uma tarifa adicional de 25% sobre cerca de 3 mil produtos do Brasil. A medida se baseou em uma investigação comercial americana e ampliou a busca brasileira por rotas alternativas de exportação, sobretudo para produtos do agronegócio.

A China respondeu por aproximadamente 28% do comércio exterior do Mercosul no último ano, acima dos cerca de 17% da União Europeia. Os países do bloco exportaram US$ 111,5 bilhões para o mercado chinês e importaram US$ 96,4 bilhões, com o Brasil concentrando quase 90% das vendas e 74% das compras.

Paraguai e consenso no Mercosul podem limitar negociação

Bandeiras de países pertencentes ao Mercosul lado a lado. Foto: Reprodução

Especialistas avaliam que uma negociação com a China pode avançar mais rapidamente do que a tratativa com a União Europeia, que levou mais de 25 anos. Regiane Nitsch Bressan, professora de relações internacionais da Unifesp, afirmou que um acordo poderia reduzir tarifas e barreiras sanitárias, elevando a competitividade de produtos brasileiros.

A professora também apontou que regras mais robustas podem facilitar investimentos chineses de longo prazo em portos, ferrovias e rodovias. O capital de Pequim já alcança setores como energia, mineração e telecomunicações, além do agronegócio.

O Mercosul, porém, negocia por consenso, e Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai podem vetar novas parcerias externas. O Paraguai mantém relações diplomáticas com Taiwan e não possui acordo formal com a China, que exige o rompimento com Taipé como condição para aprofundar os laços.

Gustavo Rojas, pesquisador do Centro de Análise e Difusão da Economia Paraguaia, considera mais provável um acordo parcial ou um pacote para facilitar o comércio, com regras sanitárias e redução de barreiras não tarifárias. Na Argentina, o governo de Javier Milei manteve e ampliou as relações comerciais com Pequim apesar das críticas feitas pelo presidente argentino durante a campanha eleitoral.

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