
O PCO decidiu orientar seus eleitores a votar nulo no segundo turno presidencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O partido afirmou que Lula não atende, neste momento, às condições de “independência de classe e revolução” defendidas pela legenda.
A 39ª Conferência Nacional do Partido da Causa Operária aprovou a orientação no domingo (11), em São Paulo. O “Diário da Causa Operária”, veículo ligado à sigla, divulgou a decisão na segunda-feira (12).
O PCO sustenta que nenhum dos dois candidatos representa os interesses da classe trabalhadora. Para a legenda, apoiar Lula significaria subordinar os trabalhadores a uma aliança política comprometida com os interesses do “grande capital”.
O partido apoiou Lula em 2018, antes de o petista sair da disputa eleitoral, e em 2022. Agora, a direção da sigla diz que as condições políticas mudaram durante o terceiro mandato do presidente.
🚨🇧🇷 A 39ª Conferência Nacional do PCO decidiu pelo voto nulo no segundo turno das eleições de 2026.
“O Partido não assume qualquer compromisso com o próximo governo. Independentemente de quem vença, será um governo subordinado aos interesses dos bancos”, disse Izadora Dias, coordenadora do partido.
— Brasil Alternativo (@bralternativo_) October 12, 2026
Críticas ao governo e rejeição a Flávio Bolsonaro
Entre os alvos das críticas estão a política econômica do governo, o arcabouço fiscal e a aproximação do Palácio do Planalto com setores da direita e do Supremo Tribunal Federal. O PCO também rejeita a avaliação de que um apoio a Lula seria necessário para impedir a vitória de Flávio Bolsonaro.
A legenda classificou a candidatura do senador como contrária ao seu programa revolucionário. A defesa do voto nulo, segundo o partido, busca preservar a “independência” política da classe trabalhadora diante dos dois concorrentes.
O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, respondeu a críticas de apoiadores em publicações no X. Ele reconheceu que Lula não é “equivalente” a Flávio Bolsonaro, mas escreveu: “Nossa posição é pela independência de classe e pela revolução. Não vemos que o Lula neste momento preencha essas condições”.
Pimenta foi candidato à Presidência e recebeu 15.024 votos no primeiro turno, o menor total entre os postulantes ao Planalto. Ele ajudou a fundar o PT em 1980 e permaneceu filiado ao partido até 1992.