O economista Paulo Nogueira Batista Jr., criticou o alinhamento político de Flávio Bolsonaro (PL) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e alertou quais são os riscos de uma eventual vitória do senador, em sua avaliação, para a soberania brasileira.
Em vídeo gravado a convite do professor Moisés de Souza, da PUC-Campinas, para estudantes do curso de Relações Internacionais, o economista analisou o cenário do segundo turno das eleições presidenciais e destacou a importância das relações internacionais para o futuro político do país.
“O Brasil não pode se dar ao luxo de eleger um candidato que se proclama alinhado automaticamente a Trump”, afirmou.
Segundo Nogueira Batista, o governo norte-americano atravessa um período de maior agressividade em relação à América Latina, buscando ampliar sua influência política e econômica sobre os países da região.
O economista também mencionou uma suposta troca de correspondências entre Flávio Bolsonaro e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. De acordo com seu relato, Rubio teria agradecido uma oferta do candidato brasileiro para a formação de uma equipe de transição com o governo dos Estados Unidos em caso de vitória nas eleições.
Para Nogueira Batista, a proposta, caso confirmada, representaria uma interferência estrangeira em um processo que tradicionalmente ocorre entre representantes do governo brasileiro em exercício e da administração eleita.
“O que Flávio Bolsonaro ofereceu ao governo americano é uma equipe de transição com o governo estrangeiro. Isso é gravíssimo”, declarou.
O economista classificou a suposta iniciativa como um exemplo de submissão aos interesses norte-americanos e afirmou nunca ter presenciado algo semelhante em sua trajetória acompanhando as relações internacionais do Brasil.
Segundo turno e soberania nacional
Durante o vídeo, Nogueira Batista também comentou o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, realizado em 4 de outubro, e afirmou que a disputa entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permanece aberta.
“A batalha continua, a luta continua, a eleição não está liquidada”, declarou.
O economista ressaltou que suas críticas ao candidato do PL não representam apoio irrestrito ao atual governo. Segundo ele, embora reconheça a experiência política e internacional de Lula, mantém divergências com o PT e com a administração federal.
Para ele, a disputa eleitoral ultrapassa as diferenças partidárias e envolve questões relacionadas à independência política do Brasil e à preservação dos interesses nacionais diante da política externa dos Estados Unidos.
Ao final do vídeo, o economista defendeu a mobilização dos eleitores para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, e reiterou sua preocupação com uma eventual aproximação automática do governo brasileiro à administração Trump.