
Procuradores familiarizados com as investigações sobre o Banco Master suspeitam que o áudio atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro, com acusações envolvendo o presidente Lula, tenha sido gravado ilegalmente na prisão e divulgado para uso na campanha eleitoral, segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo. A gravação circulou após publicação da revista Veja.
No áudio, Vorcaro afirma que negociou com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto o pagamento de propinas para acessar fundos de pensão de servidores federais. Ele também diz que R$ 30 milhões teriam financiado o documentário “Lula”, dirigido pelo cineasta americano Oliver Stone.
A equipe de Oliver Stone negou ter pedido ou recebido recursos de Vorcaro e afirmou que não tinha conhecimento da suposta solicitação. A campanha de Lula também rejeitou a acusação, sustentou que o áudio pode ter sofrido adulteração e acionou a Polícia Federal para investigar a origem do material.
A suspeita de ilegalidade decorre das regras de segurança da Papudinha, em Brasília, onde Vorcaro está preso. Pessoas que visitam o ex-banqueiro não podem entrar na unidade com celular ou gravador, o que levanta dúvidas sobre como a conversa teria sido registrada.

Defesa de Vorcaro também questiona origem da gravação
Advogados que atuam na defesa de Vorcaro também estranharam o áudio. Parte dos 23 profissionais da equipe avalia que uma gravação ilegal pode ter ocorrido há mais tempo e só ter sido vazada agora, em meio à disputa eleitoral.
Entre as hipóteses examinadas por integrantes da defesa está a participação de agentes públicos, de alguém ligado às bancas de advocacia que representam Vorcaro ou de uma visita que tenha burlado a segurança do presídio. Na Papudinha, conversas por vídeo também poderiam ser gravadas.
Quando esteve custodiado pela Polícia Federal, Vorcaro recebia advogados com computadores e gravadores para colher depoimentos voltados às negociações de colaboração premiada. Procuradores e defensores, porém, afirmam que a alegação sobre recursos para o filme de Lula não entrou nas propostas de delação nem chegou à Procuradoria-Geral da República em forma de áudios.
Advogados relataram que Vorcaro mencionou em conversas possíveis contribuições para produções sobre Lula, Jair Bolsonaro e Michel Temer, mas não detalhou os repasses nem apresentou provas. Após notícias sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Bolsonaro, ele deu explicações à PGR sem acusar o senador Flávio Bolsonaro.
Em nota, a PGR afirmou que Vorcaro não prestou depoimento oral porque a proposta de colaboração premiada foi rejeitada e disse respeitar o sigilo legal do procedimento. A Polícia Federal negou que o ex-dono do Banco Master tenha entregue depoimento ou documentos sobre um suposto financiamento do documentário de Oliver Stone.