Michelle Bolsonaro foi a campeã de votos no presídio da Papuda e o PL foi o partido mais votado, mostra levantamento

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Michelle Bolsonaro

Michelle Bolsonaro lidera votação para o Senado na Papuda, e PL supera PT

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) foi a candidata ao Senado mais votada na seção eleitoral instalada no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, nas eleições de domingo (4). Um levantamento publicado pela TMC também revelou que o Partido Liberal, legenda da família Bolsonaro, superou o PT na soma dos votos recebidos por seus candidatos em diferentes cargos. Na disputa presidencial, entretanto, Lula venceu Flávio Bolsonaro por uma diferença de apenas quatro votos.

Os números constam do boletim da urna da seção 0420, pertencente à 18ª Zona Eleitoral do Distrito Federal. O local reúne eleitores com direito ao voto que estavam no complexo penitenciário no dia da eleição.

Michelle Bolsonaro foi a mais votada para o Senado

Na disputa pelas duas vagas do Distrito Federal no Senado, Michelle Bolsonaro recebeu 68 votos na seção da Papuda.

A segunda colocação ficou com Erika Kokay (PT), que conquistou 62 votos. Leila do Vôlei (PDT) recebeu 58, enquanto Bia Kicis (PL) registrou 54.

O resultado chama atenção porque Michelle e Bia Kicis foram eleitas senadoras pelo Distrito Federal, mas tiveram desempenhos diferentes dentro da unidade prisional.

Michelle liderou a votação para o cargo. Bia, por sua vez, terminou atrás de duas candidatas de partidos adversários.

No resultado geral do Distrito Federal, Michelle conquistou 938.496 votos e Bia Kicis recebeu 886.616, garantindo as duas vagas em disputa.

PL supera PT na soma dos votos por partido

Segundo levantamento publicado pela TMC nesta quinta-feira (8), o PL recebeu 233 votos na Papuda quando somados os resultados de seus candidatos à Presidência, ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Câmara Legislativa do Distrito Federal.

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O PT ficou em segundo lugar, com 203 votos no mesmo levantamento.

O resultado não significa que 233 pessoas tenham votado no PL, uma vez que cada eleitor pôde escolher candidatos para diferentes cargos, incluindo dois senadores.

Trata-se da soma dos votos destinados aos candidatos de cada legenda, e não de uma contagem de eleitores individuais.

O PL também não apresentou candidatura própria ao governo do Distrito Federal, cargo que ficou fora da soma de votos da legenda.

A comparação revela o desempenho agregado dos partidos naquela seção, mas não permite identificar o comportamento individual dos eleitores.

Lula venceu Flávio Bolsonaro por apenas quatro votos

Apesar da liderança do PL na soma partidária, a disputa presidencial apresentou um resultado diferente.

Lula (PT) recebeu 74 votos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) conquistou 70.

A diferença foi de apenas quatro votos.

Ronaldo Caiado (PSD) apareceu em terceiro lugar, com seis votos, seguido por Renan Santos (Missão), com quatro, e Augusto Cury (Avante), com dois.

Também foram registrados três votos em branco e três nulos para presidente.

O resultado demonstra que o desempenho dos partidos varia conforme o cargo disputado. A liderança de uma legenda na soma geral não significa necessariamente vitória de seu candidato à Presidência.

Quem votou na Papuda?

A seção eleitoral instalada no complexo tinha 185 eleitores aptos. Desse total, 162 compareceram às urnas, o equivalente a 87,57% de participação.

O direito ao voto nas unidades prisionais brasileiras depende da situação jurídica de cada pessoa.

Nas eleições de 2026, presos provisórios, que ainda não possuem condenação criminal definitiva, puderam votar quando atendidos os requisitos da Justiça Eleitoral.

A Constituição determina a suspensão dos direitos políticos de pessoas com condenação criminal transitada em julgado enquanto durarem seus efeitos.

Portanto, o fato de alguém estar preso não significa, automaticamente, que tenha perdido o direito ao voto.

A seção da Papuda foi organizada para atender eleitores temporários habilitados pela Justiça Eleitoral. Os votos são secretos, assim como em qualquer outra seção do país.

Vorcaro e Careca do INSS estavam entre os eleitores aptos

Entre as pessoas presas no complexo estavam Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Ambos foram mencionados em reportagens sobre a votação na unidade prisional.

Vorcaro é investigado em procedimentos relacionados ao Banco Master. Antunes, por sua vez, tornou-se um dos principais investigados no caso de suspeitas de descontos associativos indevidos em benefícios previdenciários.

As investigações e eventuais acusações contra os dois devem ser consideradas dentro dos respectivos processos, com observância da presunção de inocência.

A presença de ambos na unidade não permite concluir em quem votaram.

O sigilo do voto impede identificar as escolhas individuais dos eleitores, inclusive dos investigados ou presos provisórios.

Resultado não revela preferência de todos os presos brasileiros

Embora a votação na Papuda tenha despertado atenção, é necessário considerar o tamanho e as características da amostra.

Foram apenas 162 eleitores presentes em uma seção específica do Distrito Federal.

O resultado não representa, necessariamente, a preferência política da população prisional brasileira.

Também não é possível afirmar que todos os votos tenham sido depositados exclusivamente por detentos, pois a cobertura do Metrópoles registra que policiais penais em serviço também puderam votar no local.

Outro cuidado é distinguir os votos recebidos por candidatos de um partido do número de pessoas que apoiaram aquela legenda.

Como o eleitor votou para diferentes cargos, uma mesma pessoa poderia contribuir com mais de um voto para o total partidário.

Uma eleição com resultados distintos para cada cargo

Os dados da Papuda ilustram uma característica importante do sistema eleitoral brasileiro: o eleitor não é obrigado a votar em candidatos de um mesmo partido para todos os cargos.

Naquela seção, Lula venceu a disputa presidencial, Michelle Bolsonaro liderou a eleição para o Senado e Celina Leão (PP) foi a mais votada para o governo do Distrito Federal, com 65 votos.

Já na soma dos votos destinados aos candidatos de cada legenda, o PL terminou à frente do PT.

O levantamento permite observar essas diferenças, mas não revela os motivos individuais das escolhas.

O resultado mais significativo é justamente essa combinação. Na mesma seção em que Lula superou Flávio Bolsonaro para presidente, Michelle liderou a votação para o Senado e o PL registrou a maior soma de votos entre os partidos.

Os números são públicos e verificáveis. As preferências e motivações de cada eleitor, porém, permanecem protegidas pelo sigilo do voto.

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