
A comentarista Flávia Oliveira chorou na GloboNews, nesta quinta-feira (8), durante uma entrevista com Ana Elisa, deputada federal eleita pelo PT em Minas Gerais. A política falou sobre ataques racistas, misóginos e ameaças de morte que diz enfrentar após a eleição.
Ana Elisa recebeu mais de 524 mil votos na votação de domingo (4). Ao responder a uma pergunta de Flávia Oliveira sobre as agressões, ela associou a violência à trajetória de mulheres negras no país.
“A minha ancestralidade, a minha e a sua, é marcada por dor. Tenho certeza que hoje o lugar que você está é alvo de ameaças, de críticas. O nosso corpo é utilizado pelo Estado e pela sociedade como um alvo fácil”, disse a deputada eleita.
Ela acrescentou que os agressores não desejam ver pessoas negras ocupando espaços públicos. “O sonho deles é que nem eu, nem você, nem nenhum brasileiro que está tendo o direito de nos escutar aqui hoje, estivéssemos aqui. O sonho deles é que nós estivéssemos agora no pelourinho.”
Ana Elisa surpreendre apresentadoras da GloboNews e faz Flávia Oliveira chorar ao vivo ao falar das ameaças que vem recebendo:
“O sonho dessas pessoas é que estivéssemos no pelourinho. Eu vivo um sonho de cada vez porque sou o sonho mais sonhado das minhas ancestralidades” https://t.co/jo9nJwu2OF
— Pragmatismo Politico (@Pragmatismo_) October 8, 2026
Ana Elisa fala sobre ameaças e chegada à Câmara
Enquanto Flávia Oliveira enxugava as lágrimas, Ana Elisa afirmou que teme pela própria vida, mas que busca lidar com a situação diariamente. “Eu sei que eu sou o sonho mais sonhado da minha ancestralidade”, declarou.
A deputada eleita também disse que seus antepassados não tiveram oportunidade de se expressar ou de ocupar cargos políticos. “Tenho certeza que a minha ancestralidade, ela nunca teve a oportunidade nem de falar, quanto mais chegar na Câmara dos Deputados Federais.”
Ana Elisa afirmou ser a primeira mulher negra a chegar à Câmara aos 21 anos em 200 anos de existência da instituição. “Mesmo que isso custe uma retaliação contra a minha vida, eu sei que eu vivi coisas que a minha ancestralidade nunca teve a oportunidade de viver”, disse.
Na entrevista conduzida também por Andréia Sadi, a mineira criticou a ideia de que jovens não se interessam por política. Ela afirmou que pretende usar o mandato para estimular a participação da juventude e formar “um exército de mulheres pretas eleitas aos 21 anos” nas próximas eleições.