
O juiz Gustavo de Castro Campos, titular da 2ª Vara da Comarca de Mococa, foi encontrado carbonizado dentro de um carro em chamas na noite de quarta (7), na zona rural de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. O episódio causou comoção e chocou amigos e advogados.
O criminalista Rogério Mega participou de uma audiência com Castro Campos na tarde de quarta (7), encerrada às 15h30. “Precisa ser muito bem investigado, pois seria uma afronta à justiça. Fazia o trabalho dele. Vamos esperar as investigações”, disse.
Mega relatou que o magistrado trabalhava sobretudo em processos criminais, embora também conduzisse ações de outras áreas. “Ele sempre muito cordial, educado, imparcial. Estamos consternados, perdemos um grande homem”, afirmou o advogado.
A advogada criminalista Janaina Rotta lembrou que Castro Campos exerceu a advocacia por dez anos antes de entrar na magistratura. Ela escreveu que o juiz conhecia “a realidade da advocacia, o peso dos prazos, das responsabilidades, das angústias e da luta diária” dos profissionais da área.
O Tribunal de Justiça de São Paulo lamentou a morte do juiz e manifestou solidariedade aos familiares e amigos. Em nota, o órgão afirmou registrar “com gratidão, sua dedicação e contribuições prestadas ao longo da carreira”.
Investigação sobre o caso

A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte e afirmou não descartar hipóteses neste início das apurações. Trabalhadores rurais localizaram o veículo por volta das 19h15 em uma área de fazenda, quando passavam pelo local em uma retroescavadeira. Eles usaram terra para conter o fogo e encontraram o corpo no automóvel.
A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros atenderam a ocorrência. Uma carteira de habilitação em nome do magistrado estava dentro do carro e ajudou na identificação da vítima.
Nascido em Mogi das Cruzes, Castro Campos formou-se em Direito pelo Centro Universitário Braz Cubas. Após atuar como advogado, tornou-se delegado da Polícia Civil no Espírito Santo em 2014 e, no mesmo ano, tomou posse como juiz substituto naquele estado antes de ingressar na magistratura paulista.
Na Justiça de São Paulo, ele trabalhou em Barretos e Tambaú antes de assumir a 2ª Vara de Mococa. Um procedimento aberto pelo TJ-SP após reclamação de um advogado sobre uma audiência terminou arquivado pelo Órgão Especial, que considerou a acusação improcedente.