Como funciona esquema que usa crianças de Uganda para promover Flávio

Site de compra das criptomoedas B22. Foto: Reprodução

O Brasil 22 Token, conhecido como B22, promete distribuir criptomoedas a usuários que divulguem o projeto nas redes sociais, enquanto suas peças publicitárias também veiculam mensagens favoráveis ao voto 22 associadas a Flávio Bolsonaro.

Kevim Guerra dos Santos Flores é apontado como idealizador e divulgador do esquema. Ele disse que o objetivo é aumentar a circulação do token entre pessoas que haviam votado no número 13.

Lançado na rede Solana, o B22 ganhou alcance por meio de perfis ligados ao HypersKids, grupo que reúne milhões de seguidores e arrecada recursos para projetos voltados a crianças em Uganda. O projeto informa que criou 1 bilhão de unidades do token, com parcelas destinadas ao grupo, ao marketing, à equipe e às recompensas para a comunidade.

Para participar, o usuário precisa criar uma carteira digital capaz de receber criptomoedas, divulgar o projeto em uma rede social e enviar o link da publicação para validação. A recompensa é apresentada como um “airdrop”, expressão usada no mercado de criptoativos para designar a distribuição gratuita de tokens a participantes de uma determinada iniciativa. A divulgação deixa de ser apenas uma ação voluntária e passa a estar associada à possibilidade de receber um ativo digital.

O ponto central da estratégia está no tipo de conteúdo que é incentivado. Suas peças publicitárias também apresentam mensagens favoráveis ao voto 22, número associado à candidatura de Flávio. Um dos vídeos divulgados pelo HypersKids mostra crianças usando camisetas com a marca B22 e cantando uma mensagem que pede votos para Bolsonaro. O material também estimula a compra e o compartilhamento do token.

Recompensa em criptoativo pode entrar na análise eleitoral

O B22 não tem valor fixo em reais. Seu preço depende da procura e da existência de compradores interessados em negociá-lo, o que pode gerar valorização para quem recebeu ou adquiriu o token — ou perda de valor e dificuldade de conversão em dinheiro quando não há demanda suficiente.

Ao vincular a distribuição do ativo à divulgação de publicações, a operação cria um incentivo econômico para aumentar o alcance do B22 e das mensagens que o acompanham. O projeto também afirma que uma parcela dos tokens destinada ao HypersKids financiará a construção de uma casa em Kampala, capital de Uganda.

Guilherme Boulos, ministro da Secretaria Geral do governo Lula, afirmou nas redes que o caso é igual ao que motivou a inelegibilidade de Pablo Marçal. “Compra de votos aberta! Tornamos Pablo Marçal inelegível por esquema igual contra nós nas eleições em São Paulo. Alô, Tribunal Superior Eleitoral”, escreveu no X.

O ex-candidato à Prefeitura de São Paulo se tornou inelegível por “vender” apoio a candidatos a vereador em troca de doações para sua campanha, chegando a pedir Pix de R$ 5 mil em troca de votos. O juiz Patiño Zorz apontou “abuso de poder midiático para influenciar e distorcer a formação da vontade política dos eleitores em benefício do candidato”.

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