
A ex-senadora e ex-ministra Kátia Abreu, coordenadora da campanha de Lula no Tocantins, criticou a atuação da primeira-dama Janja da Silva e a estratégia da coordenação nacional durante reunião da cúpula do PT. A fala mais aplaudida do encontro terminou com o pedido: “Menos Janja, mais Alckmin”. Com informações do Globo.
O encontro reuniu integrantes da Executiva Nacional do PT, deputados e coordenadores estaduais para discutir o resultado do primeiro turno. Kátia Abreu apontou falhas na comunicação da campanha após Flávio Bolsonaro (PL) terminar a primeira etapa da disputa à frente.
Relatos de participantes indicam que a ex-ministra classificou o comando da campanha como formado por “paulistas sem voto”. A crítica alcançou o presidente do PT e coordenador-geral da campanha, Edinho Silva, eleito deputado federal por São Paulo.
Kátia citou o resultado eleitoral paulista ao questionar a força da coordenação. Fernando Haddad perdeu a disputa pelo governo de São Paulo para Tarcísio de Freitas (Republicanos), enquanto Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), candidatas ao Senado na chapa, não se elegeram.

Antes de tratar da primeira-dama, Kátia Abreu afirmou que só abordaria o assunto por ser mulher. Ela considerou um erro Janja cantar a música gospel “Tapete Vermelho” em comícios de Lula durante o primeiro turno.
Outros dirigentes presentes também criticaram a iniciativa e avaliaram que o uso da canção poderia desagradar eleitores evangélicos. Eles disseram que Janja não atrairia esse segmento ao cantar música gospel nos atos políticos.
A reunião também concentrou críticas à comunicação eleitoral. Dirigentes defenderam que a campanha passe a falar mais sobre o futuro do país, em vez de concentrar mensagens no legado dos governos Lula.
Participantes cobraram mudanças nas agendas de Lula e defenderam visitas a regiões onde o bolsonarismo tem maior força, como o Centro-Oeste e o Sul de Minas. O grupo interrompeu as falas por alguns minutos após Edinho Silva deixar o auditório, à espera de que ele retornasse para ouvir as críticas.
Ao comentar o encontro, Edinho afirmou que o PT discutiu a linha política para o segundo turno. “Nós debatemos a linha política desse segundo turno, que, essencialmente, é nós confrontarmos os dois projetos que estão em disputa”, disse.
Edinho declarou que a comunicação deve enfatizar as diferenças entre os dois candidatos na nova etapa. Ele também apoiou uma participação maior do vice Geraldo Alckmin na coordenação, argumentando que o ex-governador “ajuda a ampliar diálogos com setores da sociedade”.