
O jornal El País, em editorial publicado nesta segunda (5), aponta que “o Brasil enfrenta o risco de Bolsonaro” mais uma vez. O veículo lembra que o resultado representa uma série de riscos, já que Flávio Bolsonaro ficou em primeiro lugar em primeiro turno e consolidou seu grupo político no Congresso Nacional.
O El País afirma que o impacto do resultado das urnas vai muito além das fronteiras nacionais e que o avanço da extrema-direita reflete um sentimento comum de inquietação na região, onde o movimento conseguiu transformar o descontentamento popular em uma “poderosa plataforma eleitoral baseada na ordem, na vingança e na rejeição do legado progressista”.
O editorial alerta que o Brasil se tornou o “novo campo de batalha dessa onda reacionária”. O texto ainda classifica o atual momento e as promessas de retrocesso institucional como “uma estreia desastrosa e um presságio desanimador para o colosso sul-americano”.

Leia trechos:
A onda ultraconservadora que varre a América Latina obteve uma vitória retumbante no Brasil neste domingo, um triunfo repleto de riscos para o país e para o continente. Apesar da maioria das pesquisas prever uma vitória no primeiro turno para o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Flávio Bolsonaro saiu vitorioso.
A margem é estreita, mas coloca o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso, em uma posição forte para o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. Além disso, o Partido Liberal do ex-presidente e seus filhos fortaleceu sua presença no Congresso, tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados.
O impacto do resultado vai muito além das fronteiras do país. A vitória de Bolsonaro soma-se aos recentes avanços da extrema-direita na Colômbia e no Peru, e às guinadas conservadoras já observadas em outros países da região
(…) A extrema-direita conseguiu transformar esse descontentamento em uma poderosa plataforma eleitoral baseada na ordem, na vingança e na rejeição do legado progressista. O Brasil agora representa o novo campo de batalha dessa onda reacionária.
(…) Os brasileiros precisam saber não apenas o que o próximo presidente fará, mas também quais limites ele respeitará no poder. No dia 25 de outubro, escolherão entre dois projetos radicalmente diferentes. O vencedor terá que assumir a responsabilidade de governar para todos os brasileiros e respeitar as instituições, os direitos das minorias e as regras que tornaram possível sua própria vitória.
No entanto, o favorito no segundo turno e sua família sempre se opuseram diametralmente a esse compromisso. Em um continente onde a tentação do autoritarismo ganha terreno novamente, o Brasil tem a responsabilidade de demonstrar que as urnas servem para mudar ou confirmar governos, mas nunca para enfraquecer a democracia.