Mesmo preso, Bolsonaro dirige “empresa familiar” na política, avalia cientista político

clã Bolsonaro
Jair, Carlos, Flávio, Jair Renan e Michelle Bolsonaro. Foto: Amanda Perobelli/Reuters

O cientista político Frédéric Louault, diretor do Centro de Estudos das Américas da Universidade Livre de Bruxelas, avalia que o clã Bolsonaro funciona como uma “empresa familiar” e usa o sobrenome como marca eleitoral. Em entrevista à RFI o professor analisou o resultado do primeiro turno e a eleição de integrantes da família para o Congresso.

“O clã Bolsonaro é também, e talvez acima de tudo, uma empresa familiar que funciona muito bem”, afirmou. Para Louault, a mobilização dos parentes e o reconhecimento do nome ajudam a explicar seu desempenho: “Percebe-se claramente que toda a família está mobilizada, que o nome Bolsonaro é, por si só, uma publicidade e que os permite se eleger com relativa facilidade no Brasil”.

O professor considera que Jair Bolsonaro continua dirigindo o movimento mesmo enquanto cumpre prisão domiciliar. Segundo sua análise, a escolha de Flávio Bolsonaro para disputar a Presidência transferiu capital político diretamente ao filho e preservou a sucessão dentro da família, apesar da preferência de parte dos aliados por Tarcísio de Freitas.

Flávio Bolsonaro
O candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Divulgação/Charles Vieira

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, à frente dos 45,16% de Lula. Os dois disputarão a Presidência no segundo turno, marcado para 25 de outubro.

A família também ampliou sua presença no Legislativo. Carlos Bolsonaro foi eleito senador por Santa Catarina, enquanto Jair Renan Bolsonaro conquistou uma vaga de deputado federal pelo mesmo estado. Michelle Bolsonaro se elegeu senadora pelo Distrito Federal.

Louault também avaliou que as denúncias contra Flávio Bolsonaro perderam força eleitoral em meio a acusações envolvendo outros personagens políticos. O senador é investigado pelo financiamento de “Dark Horse”, filme sobre seu pai, e nega irregularidades nas negociações com Daniel Vorcaro. “No fim das contas, as acusações contra Flávio Bolsonaro acabaram ficando um pouco diluídas em meio a essa enxurrada de denúncias”, afirmou o professor.

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