
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que Flávio Bolsonaro (PL) pode ter alcançado seu “teto” eleitoral no primeiro turno e planejam concentrar a campanha no Norte e Nordeste para a disputa final pela Presidência. A leitura no entorno do petista é que o adversário reuniu antecipadamente o voto útil de eleitores de direita na reta final.
Com 100% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos, enquanto Lula obteve 45,16%. Integrantes do governo e da campanha do presidente acreditam que a diferença deixa mais espaço para Lula crescer na segunda etapa do que para o candidato do PL.
A estratégia petista prevê ampliar as agendas nas duas regiões, onde Lula teria perdido mais de 3 milhões de votos em comparação com a eleição de 2022, conforme cálculos de aliados. A campanha busca recuperar parte desse eleitorado nas semanas que antecedem o segundo turno.
Entre as medidas que o grupo pretende explorar estão o aumento do Bolsa Família, com início previsto para 19 de outubro, e a PEC 6×1, que deve ser votada pelo Senado nesta semana. A aposta é associar essas propostas a temas de impacto direto na renda e na jornada de trabalho.
Debates e apoio de aliados entram na estratégia de Lula
Conselheiros de Lula também devem recomendar que ele participe dos debates promovidos por veículos de imprensa no segundo turno. A campanha pretende intensificar a propaganda para confrontar as posições dos dois candidatos e explorar diferenças entre Lula e o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Outro cálculo dos petistas envolve o empenho de aliados de Flávio Bolsonaro que venceram eleições estaduais no primeiro turno. A expectativa é de que nem todos atuem com a mesma intensidade na campanha presidencial, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito, e o senador Cleitinho (Republicanos), eleito governador de Minas Gerais.
Um ministro influente do governo resumiu a avaliação sobre a disputa: “É um cenário difícil, mas não é impossível”. O Palácio do Planalto trabalha com uma campanha de contraste e com ações direcionadas a regiões onde o presidente teve desempenho menor que o registrado há quatro anos.
Os aliados de Lula citam como referência os segundos turnos de 2006 e 2022. Na reeleição de Lula em 2006, Geraldo Alckmin, então no PSDB, recebeu cerca de 2,4 milhões de votos a menos no segundo turno; em 2022, Jair Bolsonaro ampliou sua votação em aproximadamente 7 milhões, mas não evitou a vitória do petista.