Fãs bolsonaristas de Tom Morello se decepcionam por apoio a Lula

Postagem de Tom Morello em apoio à Lula – Foto: Reprodução

Fãs bolsonaristas de Tom Morello descobriram apenas agora que o guitarrista do Rage Against the Machine é um artista politicamente engajado e há décadas de esquerda. Depois de Morello manifestar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição, os panacas foram às redes sociais para anunciar que estavam “decepcionados” e até que deixariam de acompanhar o músico.

“Perdeu um seguidor e fã”, escreveu um. Outro escreveu diretamente em inglês: “Mr. @tommorello, Unfortunately, you don’t live here and have no idea of the chaos that Mr. Lula and his cronies have created in this country. No more Lula and PT in Brazil.”

“Amo vc sua tragétoria (sic) e principalmente com Chris Cornell, mas ai tu falar Lula sem morar aqui no Brasil e saber como funciona o sistema eh foda né Morello ….Não mete essa”, disse uma cidadã.

Morello nunca escondeu sua posição política

Tom Morello, nascido em 1964, construiu sua carreira artística ao lado de um ativismo político que faz parte de sua trajetória desde muito antes da formação do Rage Against the Machine. Em perfil publicado pelo Harvard Crimson, a própria universidade destacou suas posições políticas de esquerda e lembrou que ele participou de atos de desobediência civil e de protestos políticos.

Comentários na postagem – Foto: Reprodução

A formação política de Morello começou ainda na infância. Sua mãe, Mary Morello, era professora e ativista e participou de movimentos pelos direitos civis e contra a censura musical. Seu pai, Ngethe Njoroge, foi diplomata queniano e integrante da luta anticolonial pela independência do Quênia. O próprio Morello já relatou que sua educação política começou a partir das experiências de racismo que sofreu ao crescer como uma das poucas crianças negras em uma comunidade majoritariamente branca.

O grupo tornou-se conhecido por suas críticas ao governo americano, às grandes corporações, à desigualdade, ao racismo, ao imperialismo e à repressão policial. Em 2016, quando Donald Trump era candidato à Presidência dos Estados Unidos pela primeira vez, Morello reagiu justamente à tentativa de associar o então candidato ao espírito de rebeldia do Rage Against the Machine.

Uma das músicas mais conhecidas do Rage Against the Machine, “Killing in the Name”, tornou-se símbolo da oposição ao abuso de autoridade e à violência institucional. A letra e a postura da banda sempre foram abertamente políticas.

O grupo também participou de manifestações e atos políticos ao longo de sua carreira. Em 1993, por exemplo, os integrantes fizeram um protesto contra a censura musical durante uma apresentação no Lollapalooza. Em vez de simplesmente tocar o repertório, ficaram no palco em silêncio, com fitas cobrindo a boca e as letras “PMRC” pintadas no corpo, em referência à organização que defendia restrições à música.

Morello também criou o projeto solo The Nightwatchman, marcado por músicas sobre trabalhadores, guerras, desigualdade e injustiça social, e participou do Prophets of Rage, supergrupo que reunia integrantes do Rage Against the Machine, Public Enemy e Cypress Hil

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