Representante dos EUA é flagrado comprando deputados no Congresso da Bolívia

Assembleia Legislativa Plurinacional da Bolívia. Foto: reprodução

A senadora Ana María Crispín e a deputada Patricia Patiño, ambas do Partido Democrata Cristão (PDC), denunciaram nesta sexta-feira (2) um suposto esquema de pagamentos a parlamentares dentro da Assembleia Legislativa Plurinacional da Bolívia para obter apoio à destituição do procurador-geral do Estado, Roger Mariaca.

Ana María denunciou Fernando Cerimedo, assessor de Milei preso por mandar matar a companheira e conhecido golpista a serviço dos EUA para desestabilizar vários países.

Segundo elas, as transferências foram feitas por QR Code e envolveram um representante da organização Escudo de las Américas, vindo dos Estados Unidos.

“Lá dentro está um representante do Escudo de las Américas, que veio dos Estados Unidos. Estava com seu laptop e QR. Nós o flagramos com a deputada. Não são malas, é um QR”, afirmou Crispín. A senadora disse ainda que havia estrangeiros acompanhando de perto a discussão sobre a saída de Mariaca. “Aqui na Assembleia há alguém da Argentina e outra pessoa de outro país verificando se o interesse que têm nesse caso será cumprido”, declarou.

O homem estava no 19º andar da Assembleia Legislativa se apresentou como representante do Escudo de las Américas após ser confrontado pela parlamentar.

A filmagem ocorreu durante a sessão da Assembleia Legislativa que discute a destituição de Mariaca. O procurador-geral está preso e foi formalmente acusado por crimes relacionados a substâncias controladas e organização criminosa.

A reunião foi antecipada pelo presidente do Senado, Diego Ávila, durante a ausência do vice-presidente da Bolívia e presidente nato da Assembleia, Edmand Lara, que viajou à Espanha. Inicialmente, a sessão estava prevista para segunda-feira (5).

Crispín e Patiño flagraram o representante do Escudo de las Américas acompanhado de outras três pessoas em uma área reservada a visitantes do plenário, com as portas fechadas. Parlamentares que entraram no local disseram que os quatro se recusaram a apresentar identificação ou credenciais.

O deputado governista Manolo Rojas, do PDC, afirmou que solicitará um relatório para esclarecer a identidade das quatro pessoas. A recusa do grupo em se identificar aumentou as suspeitas entre os congressistas presentes.

Já o deputado Edwin Valda, aliado de Edmand Lara, acusou o governo do presidente Rodrigo Paz de buscar apoio parlamentar para permitir que um procurador-geral interino seja escolhido por decreto.

“Foi constatado que existem pagamentos por QR para destituir ou conseguir apoio para que, por decreto, seja escolhido um procurador interino. É algo muito suspeito e incômodo de se observar”, afirmou Valda à agência ANF.

As acusações de compra de votos no Legislativo boliviano não começaram neste episódio. Parlamentares já haviam denunciado supostos pagamentos durante votações recentes de projetos enviados pelo governo de Paz.

O porta-voz presidencial José Luis Gálvez, por sua vez, também levantou acusações de corrupção no processo que levou Mariaca ao cargo. Ele afirmou que parlamentares da legislatura anterior teriam recebido dinheiro ligado ao narcotráfico para apoiar a escolha do procurador-geral, mas não apresentou provas da acusação.

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