
A Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alertaram o governo Lula sobre uma possível intervenção dos Estados Unidos no Brasil após o fechamento temporário da embaixada americana em Brasília e dos consulados no país.
Os alertas levaram o Palácio do Planalto a acompanhar mudanças no cenário. As informações reunidas pelos órgãos de inteligência incluíram preocupações sobre uma possível tentativa de golpe e ameaças relacionadas ao funcionamento das unidades americanas.
Segundo a revista Fórum, o alerta da Abin e da PF cita “Psyops”, operação psicológica para manter um clima de tensão até o primeiro turno da eleição, no domingo (4).
“Essa tentativa de golpe não é aquele golpe tradicional. É para intervir e favorecer um candidato. A ideia deles é o favorecimento em detrimento de outro. Ou seja, o objetivo é que o candidato atual que pode vencer, o presidente Lula, seja considerado ‘culpado’ por deixar esse ‘clima violento’. As pessoas vão sentir medo, e no medo ou votam no outro ou não vão votar. Pode-se criar abstenção a ponto de não se ter a quantidade de votos para se ganhar no primeiro turno”, disse um membro da PF.
Integrantes do órgão e da corporação citam uma “guerra híbrida”, que inclui participação das big techs, e “o objetivo claro de criar um clima de medo”. Uma ala acredita que a decisão do governo Trump tem influência de Flávio Bolsonaro (PL), principal rival de Lula na disputa.
Interlocutores do governo avaliam que a situação não deve avançar para um quadro de maior gravidade. O Executivo mantém atenção sobre os dados de inteligência ligados a movimentações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
As autoridades brasileiras não detalharam quais ameaças motivaram os alertas. Também não houve anúncio oficial de medidas extraordinárias pelo governo brasileiro até o momento.

Ordem de segurança suspendeu atendimento presencial
O Departamento de Estado dos Estados Unidos, comandado pelo secretário Marco Rubio, determinou o fechamento temporário da embaixada em Brasília e dos consulados americanos no Brasil. A medida interrompeu imediatamente os atendimentos presenciais nas repartições.
Servidores da embaixada e dos consulados receberam orientação para trabalhar remotamente, sem previsão divulgada para a retomada das atividades normais. Funcionários relataram surpresa com a decisão, que não trouxe uma explicação detalhada para o fechamento.
Em comunicado interno, a embaixada classificou a ordem como uma orientação de segurança e informou que divulgaria atualizações quando estivessem disponíveis. A determinação alcançou tanto a sede diplomática na capital federal quanto os consulados instalados no território brasileiro.
As representações americanas já haviam anunciado a suspensão dos serviços consulares presenciais por razões de segurança, o que afeta procedimentos realizados diretamente nas unidades diplomáticas dos Estados Unidos no país.