“Flavio Bolsonaro é um fascista de extrema direita, não tem nada de moderado”, afirma Aldo Arantes

A poucos dias do primeiro turno da eleição presidencial, marcado para 4 de outubro, o dirigente histórico do PCdoB Aldo Arantes analisou a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flavio Bolsonaro e chamou atenção para o contraste entre os projetos políticos em confronto no país. Para ele, temas como soberania nacional, democracia, desenvolvimento e relação com os Estados Unidos estão entre os pontos centrais da eleição.

Em entrevista ao repórter Luis Reygada, do jornal francês L’Humanité, Aldo também avaliou o avanço da extrema direita, o peso das redes sociais e da desinformação no processo eleitoral e os desafios que Lula poderá enfrentar no Congresso Nacional caso seja reeleito.

A reportagem destaca ainda que cerca de 158 milhões de eleitores irão às urnas não apenas para escolher o presidente da República, mas também para renovar 513 cadeiras da Câmara dos Deputados e de um terço das 81 vagas do Senado — além de eleger governadores e deputados estaduais nos 27 estados.

A seguir, o Portal Vermelho publica a entrevista na íntegra, em tradução para o português do Brasil.

Os brasileiros vão às urnas em 4 de outubro para o primeiro turno da eleição presidencial, marcada por uma disputa que se anuncia bastante acirrada entre o presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva e o senador de extrema direita Flavio Bolsonaro.

Os 158 milhões de eleitores também definirão a composição do novo Parlamento — com a renovação das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados e de um terço das 81 vagas do Senado —, além de eleger todos os governadores e as assembleias legislativas dos 27 estados da Federação.

Para Aldo Arantes, dirigente histórico do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), mesmo que Lula consiga vencer no segundo turno, em 25 de outubro, certamente terá de lidar com um Congresso muito conservador.

Como explicar que Flavio Bolsonaro, herdeiro político de um presidente de extrema direita que deixou tantas feridas no Brasil, consiga atrair um eleitorado tão amplo?

Aldo Arantes, membro do Comitê Central do PCdoB e candidato ao Senado — A extrema direita conseguiu convencer uma parcela significativa da população com sua “guerra cultural”, conduzida por meio de fake news, da manipulação do sentimento religioso e de um uso muito eficaz das redes sociais. É isso que explica a continuidade do apoio de diferentes setores da população ao candidato Flavio Bolsonaro. Mas, às vezes, a extrema direita acaba sendo confrontada pela realidade, como acontece com casos judiciais que voltam à tona.

Um exemplo recente é o desvio de recursos públicos no caso “Dark Horse” — o deputado bolsonarista Mario Frias e a produtora de um documentário dedicado ao ex-presidente Jair Bolsonaro são suspeitos de ter desviado verbas parlamentares para financiar o filme, segundo nota da redação. Acredito que isso terá impacto no processo eleitoral, especialmente entre os eleitores que ainda estão indecisos.

Flavio Bolsonaro também adota um discurso mais moderado que o de seu pai. Ele é o candidato de uma direita clássica ou se trata da mesma direita radical?

Flavio Bolsonaro é um fascista de extrema direita, não tem nada de moderado. Se chegar ao poder, vai aprofundar as políticas destrutivas implantadas por seu pai. A situação é grave e sabemos que a disputa pela vitória será extremamente acirrada.Como ex-deputado federal, conheço bem a composição do Congresso e estou muito preocupado, porque nunca tivemos um Congresso tão reacionário e tão conservador quanto este.

Qual será a nova composição depois de 4 de outubro? Mesmo que Lula consiga vencer o segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro, certamente terá de lidar com um Congresso muito conservador.

Os resultados econômicos do governo não são ruins, mas a percepção dos eleitores sobre os preços dos produtos de primeira necessidade se tornou uma arma eleitoral para Flavio Bolsonaro. A dificuldade desta campanha não está justamente em ter de responder à “política da percepção”, que acaba se sobrepondo às questões estruturais?

Apesar dos obstáculos impostos pelo Congresso Nacional, Lula conseguiu alcançar bons resultados, que se refletem em diferentes indicadores: combate à pobreza e à fome, desemprego e reforma tributária. Em 25 de setembro, o governo adotou uma medida muito forte e simbólica, com um decreto proibindo as apostas esportivas online. Esses jogos de azar provocam consequências muito graves para as famílias brasileiras e contribuem para o endividamento — oito em cada dez famílias brasileiras enfrentam atualmente algum tipo de dívida, segundo dados publicados em agosto pela Confederação Nacional do Comércio, informa a redação.

Lula intensifica sua campanha de apoio aos setores mais vulneráveis com medidas concretas, como um programa de alívio das dívidas das famílias e um reajuste de 15% dos benefícios sociais do programa Bolsa Família, que atende mais de 50 milhões de pessoas em situação de pobreza, segundo nota da redação. Esta é a estratégia: diante das mentiras, apresentar medidas concretas.

Como o senhor descreve os dois modelos de sociedade que se enfrentam nesta eleição?

O modelo de sociedade defendido pela esquerda está voltado para o desenvolvimento e a industrialização do país. Também se baseia na defesa de uma melhor distribuição de renda e em uma atenção permanente à educação e à pesquisa científica e tecnológica. Tudo isso levando em consideração a preservação do meio ambiente. Os resultados alcançados na preservação da Amazônia são muito positivos e animadores.

Os dois pilares fundamentais desse projeto são o respeito à democracia e a afirmação do Brasil como potência: a defesa da nossa soberania está no centro da nossa luta. Flavio Bolsonaro defende exatamente o contrário, com uma política de submissão ao império estadunidense, que pretende entregar nossas riquezas, particularmente nossas terras raras.

Ele anuncia que, em caso de vitória, vai anistiar seu pai, como se tudo o que aconteceu no Brasil não tivesse a menor importância: o papel de Jair Bolsonaro na articulação da tentativa de golpe de Estado, em janeiro de 2023, os ataques às instituições e ao Estado democrático etc. Seu projeto é destrutivo para as questões ambientais e também para a segurança. É o extremo oposto das políticas de Lula.

Diante da extrema direita, não ceder!

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Texo publicado originalmente no L’Humanité (França), reportagem “Flavio Bolsonaro est un fasciste d’extrême droite, il n’a rien de modéré, explique Aldo Arantes, figure du parti communiste du Brésil“, publicada em 29 de setembro de 2026, por Luis Reygada. Tradução feita por IA.

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