No Flow, Lula cobra engajamento eleitoral e projeta metas para a economia

Em entrevista concedida ao podcast Flow, na noite desta quinta-feira (1º), o presidente Lula (PT) direcionou apelos diretos à juventude e à população idosa às vésperas do pleito eleitoral. Gravada na residência oficial da Presidência, em Brasília, a conversa serviu para o chefe do Executivo defender o engajamento cívico, rebatendo o desinteresse pela política e propondo diretrizes para a reindustrialização do país e soberania tecnológica.

Aos mais novos, Lula alertou sobre os riscos da desilusão no processo eleitoral e o avanço da extrema-direita entre esse segmento. “Se você acha que as coisas não estão boas, entre para a política“, cobrou o presidente. Já para o eleitorado com mais de 70 anos, cujo voto é facultativo pela Constituição, fez um apelo pelo comparcimento às urnas no próximo domingo (4).

“O país não tem saída sem educação e sem política. Quem não acredita na política tem que entrar nela para transformá-la por dentro. A dignidade não se compra em supermercado; ela se constrói na luta coletiva“, declarou o petista.

Petróleo na Margem Equatorial e soberania tecnológica

Ao projetar os rumos da economia brasileira, Lula destacou a exploração de minerais críticos, como lítio e nióbio, e defendeu os estudos para a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Segundo o mandatário, os recursos obtidos com o setor energético devem financiar o salto educacional e tecnológico do país.

“E agora descobrimos mais petróleo na Margem Equatorial, cara. Você não tem noção: se der certo o que nós estamos pensando, vai ter muito petróleo. O Trump vai morrer de inveja nossa”, afirmou. O presidente complementou que busca atingir o nível das maiores potências globais: “Esse país vai ter que dar um banho chinês e americano. Eu cansei de ser um país em desenvolvimento. Nós queremos ser um país desenvolvido. Esse dinheiro eu quero utilizar para formar essa molecada.“

No âmbito da inovação, o presidente ressaltou o investimento em infraestrutura digital nacional. “Não devemos nada a ninguém. Nem para a China e nem para os Estados Unidos. Vamos construir a nossa Inteligência Artificial, que será falada em português“, sustentou.

Fim da escala 6×1 e freio em apostas online

Entre as propostas apresentadas para o mercado de trabalho, Lula enfatizou a defesa do fim da jornada de trabalho de seis dias por um de descanso e a regulamentação do trabalho por aplicativos. Além disso, defendeu a Medida Provisória lançada pelo governo para restringir a atuação das plataformas de apostas eletrônicas.

“Eu tomei a decisão de acabar com essa peste porque ela estava empobrecendo e endividando o povo brasileiro. Vi casos estarrecedores de comerciantes e mães de família que perderam tudo. Não me interessa se deputados, times de futebol ou emissoras de televisão vão chiar. A minha obrigação é não deixar o dinheiro do feijão e do leite ser drenado pelo vício“, declarou o presidente ao desafiar o Congresso Nacional a manter as restrições impostas às empresas do setor.

Relações institucionais, STF e investigações

Ao comentar a governabilidade e a alocação de recursos públicos, o chefe do Executivo criticou a dependência do governo federal em relação às emendas parlamentares. Segundo Lula, as emendas individuais e de relator “sequestraram” parte expressiva do orçamento.

Questionado sobre a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu reformas no processo de escolha dos magistrados e sugeriu a criação de um conselho de notáveis para intermediar as indicações, hoje exclusivas do presidente da República.

Lula também abordou apurações recentes envolvendo familiares e aliados políticos. O presidente assegurou que as investigações conduzidas pela Polícia Federal seguirão com total autonomia. “Se ele [Fábio Luís] tiver cometido algum delito, vai pagar“, afirmou, em referência ao seu filho, alvo de investigações ligadas ao INSS.

A transmissão do podcast, que durou cerca de 100 minutos, ocorreu no mesmo momento em que seria realizado o debate presidencial da TV Globo, cancelado pouco antes da exibição programada. Pelo menos 1,6 milhão de pessoas simultâneas assistiram à entrevista.

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