
A Globo preparou o palco, definiu as regras, escalou os palhaços e contava com a ausência de Lula para transformar o último debate presidencial do primeiro turno em uma espécie de tribunal televisivo contra o presidente. O plano, porém, desandou antes de entrar no ar.
O cancelamento do debate que seria realizado nesta quinta-feira (1º), depois que a emissora recebeu duas decisões judiciais, desmontou o circo. Uma decisão judicial, da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a Globo de exibir de forma destacada o púlpito vazio destinado a Lula e suspendeu a possibilidade de os candidatos fazerem perguntas dirigidas ao presidente ausente.
A outra, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a participação de Renan Santos, do Missão, o que foi decisivo para a fuga do covarde miliciano Flávio Bolsonaro.
A Globo reagiu dizendo que as decisões de última hora produziram “insegurança jurídica” e representaram uma interferência na liberdade da emissora de organizar debates. Pouco depois, anunciou o cancelamento do programa e substituiu o horário por um capítulo inédito da novela “Quem Ama Cuida”.
Lula fez uma jogada de mestre. Foi ao Flow Podcast, denunciou a armação (e ainda bateu no oportunista Luciano Huck, irmão de Vorcaro). “Esses debates da Globo não produzem nada. Começam a fazer gracinha, fazer piada, pegadinha, presidência da República é coisa séria. Não é quem vai lacrar mais. Não dá pra levar quem tá com 45% disputar quem tá com 1%. Então decidir não ir, as pessoas me conhecem bem”, disse a Igor 3k.
Lula no Flow: “Vorcaro não era apenas um ladrão, era um mágico. Ele envolvia todo mundo, até o Luciano Huck. Que banca o moderno e de repente a gente descobre que ele usava o avião do Vorcaro pra baratear a produção do programa dele na Globo”. pic.twitter.com/8Wg0hXlrKY
— Sérgio Santos (@ZAMENZA) October 2, 2026
Malu Gaspar e Valdo Cruz passaram a explicar o fracasso da operação diretamente de uma garagem da Mansão Wayne, defendendo os patrões e a “importância do cumprimento de contratos” etc etc. Duas crianças mimadas porque choveu na festinha e molhou o brigadeiro. A cara de Valdo, tendo de ouvir a catilinária da colega, é desde já antológica.
O programa que deveria colocar Lula como saco de pancadas acabou não acontecendo — e o presidente pôde saborear a vingança de 1989.
No primeiro debate presidencial após a redemocratização, Lula enfrentou Fernando Collor. Collor recebeu treinamento dos jornalistas da Globo. A edição exibida no Jornal Nacional, uma farsa total, tornou-se um dos episódios mais escandalosos da história TV brasileira.
O que aconteceu nesta quinta-feira não é apenas o cancelamento de um debate. É um fracasso para uma emissora que construiu sua trajetória apoiando golpes e rupturas institucionais no Brasil e foi deixada com a broxa na mão.
Lula já chegou no Flow com os dois pés no peito da armação da Globo para o debate. pic.twitter.com/lf1MDSF0gY
— Bruno Guzzo® (@brunoguzzo) October 2, 2026