Sakamoto: Pacotão de Lula na reta final pode ter freado onda pró-Flávio no 1º turno

Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: Ricardo Stuckert | Miguel Schincariol/AFP

A chave para entender o movimento de Lula está na evolução da pesquisa Meio/Ideia, divulgada hoje. Entre o começo de agosto e o início de setembro, a intenção de voto espontânea em Lula desabou de confortáveis 34,4% para perigosos 30,7%. Não era uma oscilação qualquer, mas tratava de uma sangria de apoio. Enquanto o petista caía, Flávio Bolsonaro experimentava uma trajetória positiva, saindo saiu de 20,3% em julho, escalando para 23% em agosto e batendo 28% no início de setembro. A margem de erro é de 2,2 pontos.

A maré corria a favor do bolsonarismo, alimentada por uma consolidação rápida de forças no campo da direita que pouco se importam com o fato inegável que o único candidato às Presidência que pediu e ganhou dezenas de milhões de Daniel Vorcaro foi ele.

Para piorar o cenário do Planalto, o fantasma do “antipetismo de chegada” começou a rondar as urnas, diante da possibilidade de Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury e Renan Santos desidratarem na reta final. Os dados revelam que nada menos que 36,6% dos eleitores desses nomes de direita admitiam abertamente mudar o voto na última hora em prol de Flávio para tentar liquidar a fatura e derrotar Lula já no primeiro turno. Somado a isso, 21,5% dos indecisos disseram que o desejo de encerrar a eleição logo na primeira etapa poderia ditar a mudança de escolha.

Diante das cobranças de auxiliares que pediam prudência e sugeriam deixar medidas vistas como radicais, como o banimento de bets, para o segundo turno, o próprio presidente foi pragmático, avisando aos interlocutores que nem segundo turno poderia haver.

O pacotão de choque entrou em cena como um torniquete de emergência. A promessa do Ozempic genérico na rede pública e o reforço no benefício social miraram o bolso e a saúde das classes populares, onde o governo precisa manter a hegemonia. Já a interdição das bets e o Desenrola 3 responderam à sangria orçamentária das famílias mais pobres, principalmente mulheres. E a polêmica sobre Nossa Senhora buscou neutralizar as ofensivas da bancada evangélica e dos católicos ultraconservadora, bem como tirar as crises do STF do foco.

Lula anunciando a proibição das bets e o Desenrola 3.0. Foto: reprodução

Os números mais recentes mostram que o torniquete pode ter funcionado. Na sondagem espontânea da Meio/Ideia, a curva descendente de Lula finalmente estancou e virou, oscilando para 31,5%, o que permitiu ao petista segurar a liderança numericamente em relação aos 30,5% de Flávio, apesar de o empate técnico. No cenário estimulado, o presidente marca 39,4% contra 38,4% do senador do PL. Flávio segue forte, mas a avalanche que poderia atropelar o processo no primeiro round perdeu tração.

O pacote de Lula não tem bala de prata para liquidar o pleito, mas pode ter cumprido seu papel estratégico mais vital, evitando uma tragédia para ele no 1º turno e comprando o tempo necessário para que a batalha final ocorra no final de outubro.

Se ela vai ajudar a reduzir o impacto da consolidação do voto útil de direita e a abstenção historicamnete maior entre os mais pobres, só domingo vai dizer.

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