
O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, foi preso na noite de quarta-feira (30) no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz, poucos dias depois de ter o visto para os Estados Unidos revogado pelo governo Trump.
A prisão ocorreu logo depois que a advogada boliviana Nadia Beller divulgou fotografias que mostram Cerimedo ao lado de Donald Trump Jr., filho do presidente americano, do estrategista Brad Parscale, que trabalhou nas campanhas de Trump, e do argentino Andy Rivas, sócio de Cerimedo.
Beller, que acusa Cerimedo de ter ordenado um ataque a tiros contra ela, questionou publicamente a dimensão das relações do argentino com o núcleo político de Trump. “É a luta do Escudo das Américas ou a proteção da rede MAGA?”, disse a advogada.
As fotografias comprovam a proximidade de Cerimedo com figuras importantes do movimento MAGA e ganham relevância em um momento no qual o consultor argentino está no centro de investigações na Bolívia. O Washington Post publicou um perfil sobre Cerimedo descrevendo sua atuação na expansão da agenda trumpista na América Latina.
Cerimedo foi preso na Bolívia e é investigado, entre outros crimes, por uma tentativa de feminicídio contra Beller, além de acusações relacionadas a enriquecimento ilícito e tráfico de drogas. Ele também ganhou projeção por sua atuação digital em campanhas de políticos de direita na América Latina, incluindo Javier Milei, na Argentina, e Rodrigo Paz, na Bolívia.
Mariaca era responsável por supervisionar investigações que atingiam Cerimedo. Na segunda-feira (28), depois de ter seu visto cancelado pelos Estados Unidos, o procurador afirmou que nenhuma pressão externa faria o Ministério Público boliviano abandonar suas investigações.
“Sabemos também que algumas investigações têm implicações que transcendem as fronteiras nacionais. O caso denominado Cerimedo, por exemplo, gerou preocupações e repercussões em diferentes âmbitos políticos”, afirmou Mariaca.
O governo americano acusou Mariaca de abuso do cargo, recebimento de propina para facilitar o narcotráfico e ajuda a criminosos violentos para escapar da Justiça. Mariaca rejeitou as acusações e denunciou o que classificou como ingerência estrangeira.
Dois dias depois, ele acabou preso.
Procuradoria denuncia “sequestro”
A prisão ocorreu no Aeroporto Internacional de Viru Viru, onde Mariaca estava acompanhado do procurador departamental de Santa Cruz, Alberto Zeballos. Os dois também haviam sido atingidos pelas restrições impostas por Washington.
A Procuradoria-Geral boliviana reagiu à operação classificando a prisão de Mariaca como um “sequestro”. Funcionários da instituição fizeram uma transmissão ao vivo para denunciar a detenção e afirmaram desconhecer os fundamentos da operação.
A ação não ficou restrita ao aeroporto. Policiais fizeram buscas em instalações do Ministério Público em Sucre e Santa Cruz e na residência de Mariaca. Outros integrantes do Ministério Público e agentes policiais também foram detidos. Ao todo, 14 pessoas foram presas na operação, segundo autoridades bolivianas.
O ministro do Interior, Marco Antonio Oviedo, afirmou que Mariaca liderava uma suposta organização criminosa instalada no sistema de Justiça e no Ministério Público para proteger traficantes. As acusações ainda precisam ser submetidas ao devido processo judicial.
A ofensiva americana atingiu 27 pessoas de Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Mariaca foi o nome de maior destaque. O Departamento de Estado justificou a decisão com acusações de corrupção e obstrução de iniciativas contra o narcotráfico.
Nádia Beller afirma ter entregue à Justiça boliviana áudios, mensagens, fotografias e documentos que, segundo ela, demonstrariam a influência de Cerimedo em decisões envolvendo a estatal petrolífera YPFB, além de negócios relacionados a combustíveis, ouro e outras operações.
Por esto el gobierno boliviano ha secuestrado al fiscal general de Bolivia, un golpe de estado contra la justicia y la lucha por la verdad. Es hora que todo el progresismo latinoamericano se movilice por la defensa de la democracia y la transferencia del voto.
Cerimedo era amigo… https://t.co/sggvd85ip4
— Gustavo Petro (@petrogustavo) October 1, 2026