Empresas brasileiras ficam sem exportações para os EUA após tarifaço de Trump

Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: reprodução

O tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já zerou as vendas da fabricante brasileira Engemasa ao mercado estadunidense e provocou quedas de até 60% nas exportações de outras indústrias. A empresa de manufatura tinha nos EUA 40% de seu faturamento em 2025, mas não registrou receita nesse destino em 2026.

João Baroni, diretor-geral da Engemasa, afirmou que os clientes estadunidenses também passaram a adiar compras pela falta de previsibilidade. “O que tem nos afetado muito, pois foi um mercado que levou décadas para construirmos e agora vemos ele se despedaçar em questão de meses”, disse.

A Utilinox, que vende máquinas e equipamentos para uso industrial, registrou redução de 60% nas vendas de alguns produtos aos EUA. José Neto, diretor da companhia, relatou que a pressão começou no início do ano, quando passou a vigorar uma tarifa de 50% sobre aço e alumínio prevista na Seção 232 da legislação dos Estados Unidos.

Empresários receberam com cautela a retomada das conversas comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Autoridades brasileiras se reuniriam na última quarta-feira (30) com o representante comercial estadunidense Jamieson Greer, sem expectativa de uma definição imediata sobre as tarifas.

Galpão da Engemasa. Foto: reprodução

Indústrias procuram destinos alternativos para exportar

A busca por clientes fora dos Estados Unidos ganhou prioridade, especialmente entre pequenas e médias empresas, que dispõem de menos caixa e têm menor presença internacional. João Dmitruk, presidente da Câmara Setorial de Máquinas, Equipamentos e Componentes do Setor de Defesa e Segurança da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, apontou a América Latina como opção pela proximidade e pelas relações comerciais já estabelecidas.

A ApexBrasil informou que 72% das 2,4 mil empresas atendidas pela agência e exportadoras para os Estados Unidos já passaram a vender para ao menos um destino adicional. Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Singapura, Índia e China integram a lista de mercados considerados promissores.

A China ampliou em 15% as compras de produtos brasileiros entre janeiro e agosto, alcançando US$ 77,07 bilhões, conforme a Secretaria de Comércio Exterior. No mesmo período, as exportações à União Europeia também cresceram 15%, para US$ 37,29 bilhões. A Utilinox diz que desenvolve fornecedores na Ásia e reativa linhas de produção em sua planta.

A diversificação, porém, não substitui automaticamente o mercado estadunidense, sobretudo para produtos industriais negociados entre empresas ou integrados a cadeias produtivas específicas. Marcelo Vitali, diretor da How2Go, defendeu investimentos em inovação para recuperar a competitividade da indústria, cuja participação no PIB caiu de 35,9% em 1985 para 13,7% em 2025, segundo a Confederação Nacional da Indústria.

O governo oferece R$ 22,6 bilhões pelo programa Brasil Soberano para empresas atingidas pelas tarifas, incluindo R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 9,1 bilhões do BNDES. A ApexBrasil também anunciou R$ 210 milhões para 35 setores, voltados a estudos de mercado e ações de identificação de novos destinos de exportação.

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