
As campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) começaram a disputar os votos de Augusto Cury, candidato do Avante que registra média de 5% das intenções de voto nas pesquisas, segundo o PlatôBR. Os dois grupos já miram o segundo turno e buscam diálogo com um eleitorado que se distancia da polarização.
Cury indicou que seguirá na disputa até domingo (4), mas tende a não apoiar nenhum dos dois candidatos na etapa seguinte. Mesmo assim, petistas e bolsonaristas tentam obter seu respaldo ou influenciar a destinação de seus votos.
Do lado de Lula, o presidente do PT e coordenador-geral da campanha, Edinho Silva, conduz as tentativas de aproximação. As conversas ainda não avançaram para a incorporação, no programa petista, de propostas defendidas pelo candidato do Avante.
Integrantes do PT tratam um eventual acordo com Cury como a única aliança possível entre os adversários, pois avaliam que os demais candidatos estão mais alinhados à direita e a Flávio Bolsonaro.
A campanha associa parte do eleitorado de Cury ao voto de protesto contra a polarização.

Tarcísio atua como interlocutor de Flávio Bolsonaro
A cúpula do PL também buscou canais com Cury por meio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que mantém proximidade com o candidato do Avante. Aliados de Flávio avaliam que a neutralidade já representaria um resultado favorável.
“A neutralidade dele pode ser bem melhor para a gente do que uma virada”, disse uma fonte do PL. O partido considera que um apoio formal de Cury poderia ter efeito limitado, diante das críticas que ele fez a Flávio durante o primeiro turno.
Na semana passada, Cury apontou Lula como favorito e declarou acreditar na derrota do candidato do PL. “Se o pai [Jair Bolsonaro] perdeu, o filho também vai perder e tudo o que o Lula quer é pegar Flávio Bolsonaro no segundo turno. Ele vai destruir Flávio”, afirmou, ao criticar a busca pelo voto útil.
Interlocutores de Cury dizem que ele pretende não se comprometer com nenhuma das campanhas. No máximo, o candidato estaria disposto a “dar dicas de propostas a serem abraçadas pelas candidaturas”.