PF investiga se advogado amigo de Flávio usou bets para lavar dinheiro

Willer Tomaz junto do candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Reprodução

A Polícia Federal investiga se o advogado Willer Tomaz de Sousa, amigo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), usou apostas online para lavar dinheiro. A investigação ganhou força após a divulgação de documentos que apontam movimentação de R$ 6,6 bilhões na plataforma Blaze em 18 meses.

Os dados constam de uma ação movida pelo próprio advogado contra a empresa. A defesa afirma que Tomaz apostou o montante entre janeiro de 2025 e julho de 2026 e acumulou prejuízo de R$ 188,5 milhões no período.

O processo, protocolado em agosto e tornado público na segunda (29), pede a devolução dos valores enviados à plataforma. Os advogados informaram que Tomaz fez 2.145 depósitos, que somaram R$ 325 milhões, e usava os recursos em apostas sucessivas.

A defesa negou lavagem de dinheiro e disse que todas as operações ocorreram em conta bancária do próprio advogado, de forma rastreável. Em nota, afirmou que não houve “qualquer ocultação ou dissimulação de origem ou destino de recursos” e contestou os valores divulgados.

A plataforma de bets Blaze. Foto: Reprodução

Defesa aponta ludopatia e Blaze contesta cálculo de perdas

Na ação, os advogados sustentam que Tomaz recebeu diagnóstico de ludopatia, transtorno caracterizado pela perda de controle do impulso de apostar. “O autor é, portanto, pessoa diagnosticada com ludopatia por laudo de profissional de saúde mental habilitado”, escreveram.

A Blaze rebateu a tese de que o saldo líquido da conta represente dano. A empresa afirmou que entradas e saídas ocorreram de forma sucessiva, muitas vezes no mesmo dia, e comparou o cálculo da defesa à soma apenas dos débitos de um extrato bancário, sem considerar os créditos.

Os advogados dizem que as perdas mais altas ocorreram em mesas de cassino online, com rodadas de cerca de 30 segundos e apostas que chegavam a R$ 500 mil. A defesa também afirma que Tomaz pediu o bloqueio definitivo da conta em mais de uma ocasião e que a empresa ofereceu R$ 42,2 milhões em bônus ligados à frequência das apostas.

Tomaz já foi alvo de buscas na Operação Sem Desconto, que investiga desvios no INSS, e acabou preso em 2017 sob suspeita de tentar interferir na Operação Greenfield. O advogado viajou com Flávio Bolsonaro para um safári na África do Sul, era dono de um jatinho usado pelo senador e emprestou um apartamento em São Paulo para a campanha presidencial do político.

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