Ex-presidente do BRB recebeu encomendas de motorista de Vorcaro, dizem mensagens

Paulo Henrique Costa foi presidente do BRB. Foto: Rafael Lavenère/BRB

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicam que o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa recebeu ao menos cinco sacolas, encomendas ou entregas do motorista do empresário em Brasília, ao longo de 2025. Os contatos ocorreram enquanto o BRB negociava a compra do Banco Master e buscava o aval do Banco Central para a operação.

Nas conversas, Costa chamava os encontros de “reunião com o Sidney”, em referência ao motorista Sidney, que administrava a casa de Vorcaro no Lago Sul. As mensagens não revelam o conteúdo da sacola, do envelope ou das demais encomendas mencionadas nos diálogos.

O primeiro registro data de 7 de fevereiro de 2025, antes do anúncio oficial do negócio entre BRB e Master. Após Costa perguntar se poderia passar na residência, Vorcaro respondeu: “Sim. Sidney esperando”. Em seguida, o banqueiro avisou o motorista: “Paulo está indo pegar sacola”, e o funcionário respondeu mais tarde que “Dr Paulo já veio buscar”.

Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução

Mensagens citam envelope, vinho e entregas por avião

Em março, o motorista pediu a Vorcaro o endereço de Costa para “deixar encomenda”. Uma semana depois, afirmou que havia buscado um envelope com um contato que acabara de desembarcar em Brasília. Vorcaro então determinou: “Vc vai pegar o vinho e levar mais tarde para a casa do paulo”.

Na manhã seguinte, o motorista aguardou Costa descer do prédio onde morava e comunicou a entrega. Pouco depois, o então presidente do BRB escreveu ao banqueiro: “Muito obrigado pelo vinho! A safra é bem especial? rs”. Em uma proposta de colaboração apresentada à PF, Vorcaro afirmou que “vinho” era um código para propina.

Em maio, durante as tratativas entre BRB, Master e Fundo Garantidor de Créditos, Vorcaro perguntou a Costa se ele poderia passar “lá no Sidney” no dia seguinte. Costa respondeu: “Sim”. Já em julho, o banqueiro ordenou ao motorista que pegasse uma encomenda com José Alfredo Berg Filho, piloto que coordenava seus jatos, e a entregasse a Paulo Henrique.

A encomenda de julho chegou de São Paulo em um avião de Vorcaro, em uma semana na qual o BRB reunia documentos exigidos pelo Banco Central para a análise da compra do Master. Nos dias posteriores, Vorcaro perguntou três vezes se Costa havia ido “no Sidney”; o ex-presidente do banco respondeu que ainda tentava marcar a “reunião” com o motorista.

Na proposta de colaboração, que a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou, Vorcaro alegou que parte de uma suposta propina a Costa somava cerca de R$ 50 milhões em criptomoedas guardadas em pen drives. Ele também afirmou que Berg entregava valores ao motorista, que os levaria a Costa, e citou pagamentos em espécie e imóveis que não teriam sido totalmente transferidos.

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