Mulheres se afastam de Flávio e Lula abre 9 pontos na Quaest

As mulheres chegam à reta final do primeiro turno mais distantes da família Bolsonaro. Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (28) mostra que 47% delas têm mais medo de uma volta dos Bolsonaro à Presidência, enquanto 37% temem mais a continuidade de Lula. Entre os homens, a relação se inverte: 50% dizem ter mais medo de um novo mandato de Lula, enquanto 39% apontam a volta da família Bolsonaro.

Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a diferença também favorece o presidente entre as mulheres. Lula aparece com 46% das intenções de voto entre elas, contra 37% de Flávio. Duas semanas antes, havia empate entre os dois nesse segmento; agora, Lula abriu nove pontos de vantagem. Entre os homens, Flávio registra 48%, contra 38% de Lula.

A Quaest aponta as mulheres, ao lado dos eleitores de baixa renda e dos beneficiários do Bolsa Família, entre os grupos em que a recuperação de Lula foi mais evidente na reta final da disputa.

Bets, Bolsa Família e saúde

A restrição às bets é a medida anunciada pelo governo que mais encontra apoio entre as mulheres: 64% das eleitoras aprovam a proposta. O dado ganha um significado ainda mais concreto diante dos efeitos das apostas sobre a vida das mulheres. Pesquisa de campo realizada pelo antropólogo David Nemer entre 2023 e 2025 no Território do Bem, conjunto de favelas de Vitória (ES), identificou que elas estão entre as que mais sofrem com as consequências das apostas online.

Segundo Nemer, as mulheres são atingidas de duas formas: quando apostam e perdem dinheiro e quando os companheiros usam a renda delas para apostar. Em entrevista à Alma Preta, o pesquisador relatou que esses conflitos podem terminar em violência doméstica.

A aposta, nesse caso, deixa de ser apenas uma dívida ou um problema de consumo. Ela pode atingir o dinheiro que sustenta a casa e a autonomia de quem o ganha.

O recorte da Quaest, porém, vai além das bets. O Bolsa Família também tem aprovação maior entre as mulheres, justamente em um momento em que o programa volta a ocupar espaço na campanha. São 62% de apoio entre elas, contra 59% no conjunto dos entrevistados. A distribuição de medicamentos para emagrecimento pelo SUS alcança o mesmo índice de 62% entre as eleitoras, quatro pontos acima da média geral.

São medidas de naturezas diferentes, mas que atingem questões bastante concretas da vida cotidiana: dinheiro, renda familiar e acesso à saúde. E é justamente entre as mulheres que as três encontram seus maiores índices de aprovação.

A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 24 e 27 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-06520/2026.

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