
O bispo JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações — igreja onde o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi batizado — associou a morte de Tancredo Neves a uma bênção recebida do papa João Paulo II. A afirmação está no livro “A Bomba — a verdade pode ser explosiva”, lançado por Carvalho em 2001.
Ao mencionar a visita de Tancredo ao Vaticano, em 25 de janeiro de 1985, o líder religioso escreveu: “Tancredo Neves recebeu a ‘bênção’ para governar nosso país: Não subiu a rampa do Palácio.” O presidente eleito morreu em 21 de abril daquele ano, antes de tomar posse.
O trecho integra o capítulo “A rainha dos céus no Brasil”, no qual Carvalho trata Nossa Senhora Aparecida como “Nossa Senhora” e a chama de “deusa”. O autor também classificou como ilegal e inconstitucional a lei de 1980 que estabeleceu Aparecida como padroeira do Brasil.
No livro, o bispo afirmou que declarações papais teriam provocado “resultados catastróficos” para quem as recebeu. Ele citou a passagem bíblica de Malaquias 2:2 para sustentar que determinadas bênçãos poderiam se transformar em maldições.

Livro atribuiu crises brasileiras à escolha de Aparecida como padroeira
Carvalho escreveu que o país “só veio a perder com a declaração papal”. Na interpretação exposta na obra, a instituição de Nossa Senhora Aparecida como padroeira teria sido seguida por recessão, inflação, secas no Nordeste, enchentes no Sudeste e aumento da criminalidade.
O texto atribui ao papa Pio XI a declaração de Aparecida como padroeira em 1930 e menciona que João Paulo II inaugurou, 50 anos depois, a basílica dedicada à santa em Aparecida, no interior de São Paulo. Essas referências aparecem como parte da argumentação religiosa do autor.
No encerramento da obra, Carvalho convocou cristãos a protestarem contra o que chamou de “institucionalização da adoração pagã”. Ele defendeu que representantes da Câmara e do Senado atuassem para que o país deixasse de ter Aparecida como padroeira.
A convocação termina com a defesa de que “só YAHWEH é Deus” e com a frase “feliz é a nação cujo Deus é Jesus, o Senhor”. O livro voltou a ser citado em meio à polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida na reta final da campanha presidencial.