Site revela escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro, orgias, presentes caros e lobby

O senador e candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL), tem muita sujeira sobre e sob seu tapete. E uma delas, certamente escondida com muito cuidado, acaba de vir à tona. Conforme revelado pelo site PlatôBR, o Zero 1 está envolto em situações nada republicanas e de moralidade bastante questionável para alguém que tenta se vender como alguém ligado ao trinômio “Deus, Pátria e Família”.

A reportagem, assinada por Rodrigo Rangel, traz elementos — como texto, áudios, documentos e fotos — jogados no ventilador por seu amigo ex-sócio na chocolateria Alexandre Ferreira Dias Santini, após prejuízo tomado na empreitada. Depois de anos de amizade, veio a briga em torno da empresa, mas hoje, Dias Santini está de novo colado a Flávio.

O que veio à tona, no entanto, é bombástico. De orgias com garotas de programa a presentes caros dados a Flávio e lobbies junto ao governo de Jair Bolsonaro (PL), passando por situação envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal indicado pelo então presidente, Kássio Nunes Marques.

Com relação às festinhas com as garotas de programa, reveladas por Dias Santini à esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro, a matéria mostra que era o próprio sócio do senador “quem organizava vários desses convescotes, inclusive à custa do dinheiro que circulava com certa facilidade entre eles desde os tempos da sociedade na loja de chocolates – um dinheiro que, como mostraram as investigações do Ministério Público do Rio, depois arquivadas por decisão do Poder Judiciário, vinha das rachadinhas e de outras transações nebulosas”.

De acordo com a matéria, a revelação criou uma crise no casal em meio à campanha pela reeleição de Bolsonaro, o que teria gerado preocupações de que o escândalo viesse à tona naquele momento.

Também neste caso, aparece o nome do advogado e amigo de Flávio, Willer Tomaz — sim, aquele investigado nas fraudes no INSS e que era dono, junto com Daniel Vorcaro, do jatinho que foi usado pelo senador, além de ter sido companheiro de viagem de Flávio no safári na África do Sul. Tomaz representou Flávio na briga com Dias Santini.

O site publicou, ainda, um print de uma mensagem de Flávio ao ex-sócio dizendo: “Não sei o que vc está ganhando querendo destruir meu casamento e minha família, mas saiba que Deus te usou pra me fazer um pai, um marido e uma pessoa melhor. Me arrependi, de verdade, de muitas escolhas erradas que fiz na vida e não vou errar nunca mais com a minha família. Peço que se afaste definitivamente da Fernanda, não ligue mais, não procure mais, arrume outra dentista (…)”.

Print de uma da mensagens de Flávio, obtidas pelo PlatôBR

Lobby e “presentes”

A reportagem também traz elementos que mostram as relações entre Flávio, lobistas e figuras interessadas em fazer jogadas que lhes rendessem vantagens durante o governo de Jair Bolsonaro. Uma casa em Brasília era, inclusive, usada para encontros desse seleto grupo — e Flávio foi visto por lá com regularidade.

“As amizades eram de épocas distintas, mas os ‘parceiros’ de Flávio, com acesso facilitado a figuras de relevo do governo de Jair Bolsonaro, conviviam, participavam dos mesmos encontros, se ajudavam. Na pandemia de Covid-19, eles estreitaram contato, por exemplo, com os empresários que conseguiram fechar com o Ministério da Saúde um contrato bilionário, mais tarde cancelado por causa das evidências de irregularidades, para a compra da vacina indiana Covaxin”, diz o texto.

Dentre os amigos de Flávio estava o advogado Alan Belaciano (que já teve problemas com a Justiça por se apresentar como juiz). Ele foi responsável por “dar de presente” ao senador equipamentos de academia que somavam quase R$ 90 mil — para serem colocados na mansão de R$ 6 milhões comprada por Flávio em Brasília —, além de uma tevê de 75 polegadas. Mas, um de seus regalos mais caros foi um relógio Rolex, cuja nota fiscal indica o valor de R$ 305 mil.

Outro dado trazido é que Alexandre Dias Santini também era próximo de Fabrício Queiroz e do advogado Frederico Wassef. Diálogos entre Dias Santini e Wassef mostram, inclusive, as jogadas feitas pelo advogado para salvar a pele de Flávio no caos das rachadinhas e a ingratidão ele ele atribuía ao clã Bolsonaro. Além disso, conforme mostra a reportagem, “o ex- sócio (Dias Santini) era a ponte para o operador das rachadinhas (Queiroz) pedir dinheiro a Flávio”.

Quanto ao ministro Kássio Nunes Marques, a reportagem aponta que, em meio aos desentendimentos entre o ex-sócio e Flávio, numa mensagem em tom de ameaça enviada por Dias Santini a Flávio, o ex-sócio diz “ter a informação de que ele havia tratado diretamente com Kassio sobre interesses de um cliente que tinha um processo no gabinete do ministro. O caso seria tocado por Alan Belaciano – aquele amigo de Flávio que havia montado o bunker no Lago Sul, o mesmo que comprou o Rolex”.

Dias Santini escreveu: “Vou te passar apenas uma única informação que considero importante para vc. Vc falou diretamente com o Kassio Nunes e intermediou um cliente em um processo para tratarem disso. Vc é maluco ou inconsequente! Brasília não tem muros e seu amiguinho está sendo observado…”.

Não há mais detalhes sobre essa questão. O que se sabe, no entanto, é que Dias Santini e Flávio reataram sua relação — tão bem que o ex-sócio já se sente confortável para fazer campanha para o senador.

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