
Clubes brasileiros cancelaram a reunião que estava marcada para esta terça (29) com o ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, em Brasília, após a medida provisória que proibiu as casas de apostas e sua publicidade no país. Dirigentes interpretaram o esvaziamento do encontro como um recado ao governo federal, segundo o UOL.
O ministério havia convocado os representantes para discutir o fortalecimento dos clubes e do futebol brasileiro. A reunião, porém, perdeu adesão e acabou cancelada na noite de segunda (28), quando as equipes decidiram não enviar representantes.
Uma ala dos dirigentes avaliou que comparecer ao encontro poderia ser entendido como apoio a uma agenda eleitoral. A decisão ocorreu a seis dias da votação, fator que aumentou a resistência entre os clubes à convocação do governo.
O Ministério do Esporte atribuiu o cancelamento a questões logísticas. Entre os clubes, a mobilização já era baixa, e as federações estaduais também não se organizaram para participar da reunião em Brasília.

Dirigentes contestam decisões sem consulta prévia
A principal reclamação dos clubes envolve a ausência de diálogo antes da publicação da medida que vetou a operação e a propaganda das bets. As equipes sustentam que a proibição atinge diretamente receitas relevantes do futebol profissional.
Os departamentos jurídicos também apontam divergências anteriores com o governo, entre elas a condução dos vetos à Lei Geral do Esporte, em 2023. Para esse grupo, o ministério propôs a reunião somente depois de adotar decisões com impacto financeiro para as agremiações.
O cancelamento do encontro não representa um rompimento entre os clubes e o governo federal. Corinthians, Internacional e Atlético-MG participam de negociações sobre uma linha de crédito e descontos em dívidas.
Essas tratativas buscam reduzir o impacto financeiro do fim das bets sobre os clubes. A discussão sobre crédito e alívio de débitos segue separada da reunião cancelada com o ministro do Esporte.