
A acusação de Flávio Bolsonaro (PL) contra integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ampliou a crise de sua campanha em torno de Nossa Senhora Aparecida, avaliaram Natuza Nery e Octávio Guedes no “Central das Eleições”, da GloboNews, nesta segunda-feira (28). Flávio atribuiu a pessoas de dentro da entidade, sem apresentar provas, a divulgação da informação de que pretendia retirar da santa o título de padroeira do Brasil. Ele nega ter esse plano.
“Eu não estou atacando a Igreja Católica. Aí como é que você resolve isso? Atacando a Igreja. Então ficou esquisito, né, Octávio?”, ironizou Natuza ao comentar a reação do candidato. Para Guedes, os ataques à CNBB têm precedentes no bolsonarismo. Ele lembrou que Jair Bolsonaro já chamou a conferência de “parte podre” da Igreja Católica e afirmou que bispos e a entidade são alvo de influenciadores ligados ao grupo desde 2018.
O comentarista apontou, porém, uma diferença na crise atual: a controvérsia envolve Nossa Senhora Aparecida, figura central para a fé e a cultura de muitos brasileiros. Guedes também avaliou que a imagem de espontaneidade atribuída por parte dos eleitores a Jair Bolsonaro não se transfere automaticamente ao filho. Trata-se da leitura política do jornalista, não de uma conclusão estabelecida pelo programa.
Não é mais “fake news”
Agora é “ataque do bolsonarismo à fé católica”.Natuza Nery criticando.
Octavio Guedes falando de tudo:
CNBB, 2018,Vorcaro,Banco Master e até o crochê que Tarcísio segurouA Natuza
quando abre a internet,só vê post de Nossa Senhora pic.twitter.com/OzEBqctDQi— Luis Fernando (@Luis16363936550) September 28, 2026
Na véspera, a CNBB divulgou uma nota de esclarecimento afirmando que não produziu nem divulgou informações falsas sobre a eleição. A entidade disse que atribuir a ela participação em desinformação sem provas a atinge injustamente. Nesta segunda, Flávio classificou a nota como “boa e esclarecedora”, depois de ter acusado pessoas ligadas à conferência.
Guedes comentou ainda a cena em que Flávio ergueu um boneco de crochê de Nossa Senhora Aparecida durante uma caminhada em São Paulo ao lado do governador Tarcísio de Freitas. Ele questionou como o gesto seria recebido por católicos e evangélicos: os primeiros poderiam vê-lo como genuíno ou oportunista; entre os segundos, a exibição de uma imagem religiosa também poderia provocar reação. Foi Flávio quem recebeu e ergueu o boneco, segundo o relato da agenda de campanha.