Sakamoto: Que tema é o mais decisivo para os jovens na eleição? Dica: não é corrupção

educação pública
Foto: Frederick Florin/AFP

Por Leonardo Sakamoto, via UOL

A educação pública é a pauta que mais pesa na decisão de voto dos eleitores brasileiros de 16 a 24 anos, segundo a nova rodada da pesquisa BTG/Nexus. Dos jovens, 45% dizem que define sua escolha para presidente no primeiro turno, percentual mais que duas vezes superior aos 22% registrados entre o eleitorado em geral. A margem de erro é de dois pontos.

O resultado coloca a educação muito à frente de outras preocupações tradicionalmente associadas às disputas eleitorais e revela um perfil de prioridades distinto entre os mais jovens.

A economia do Brasil aparece em segundo lugar, mencionada por 34% dos eleitores nessa faixa etária. Em seguida vêm saúde pública (26%), segurança pública (25%) e a rejeição a determinado candidato (24%).

Só depois que vem um dos temas que mais mobilizaram a mídia e as redes sociais nestas eleições: o combate à corrupção. A pauta é decisiva para apenas 18% dos eleitores entre 16 a 24 anos, enquanto chega a 31% na média nacional.

Outro dado chama atenção: a situação financeira pessoal imediata é apontada como principal motivação do voto por 12% dos jovens. Ao mesmo tempo, a faixa de 16 a 24 anos apresenta baixo nível de indefinição sobre os motivos que orientam sua escolha eleitoral, com apenas 5% não sabendo ou não respondendo.

BTG/Nexus
Foto: Arte/DCM

Na avaliação de Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, os resultados mostram uma geração especialmente atenta às perspectivas de formação e entrada no mercado de trabalho.

“Os jovens olham para o pleito presidencial sob a ótica do futuro e da construção de oportunidades”, afirma Tokarski. Segundo ele, escola e universidade públicas são vistas por essa parcela do eleitorado como importantes caminhos de ascensão social, o que ajuda a explicar a relevância atribuída à educação.

O executivo também avalia que, na comparação com eleitores de faixas etárias mais altas, os mais jovens são menos mobilizados por escândalos e denúncias do passado e demonstram maior interesse por propostas que garantam formação e dinamismo econômico para entrar no mercado de trabalho.

Os números sugerem, portanto, que candidatos interessados em conquistar o eleitorado mais jovem precisam olhar para uma agenda que combina educação, perspectivas econômicas e serviços públicos e não apenas para temas que historicamente dominaram o debate político nacional.

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