
Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia
Da Página do MST
A produção de conhecimento a partir da realidade dos territórios da Reforma Agrária ganhou espaço na XXIV Jornada de Iniciação Científica e Tecnológica da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, realizada no sábado (26), em Salvador. Com o tema “Ciência que forma e transforma”, a atividade reuniu estudantes, pesquisadores e integrantes de diferentes experiências de formação e pesquisa.
Por meio da parceria entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST e a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, jovens assentados da Reforma Agrária participaram da jornada e apresentaram pesquisas desenvolvidas a partir de suas vivências nas comunidades onde vivem.
A participação possibilitou aos jovens não apenas conhecer o ambiente acadêmico, mas também apresentar conhecimentos construídos a partir de suas próprias experiências e da realidade das famílias Sem Terra. Entre os trabalhos apresentados, estiveram pesquisas relacionadas à história do MST, às condições de vida nos assentamentos e às percepções dos próprios sujeitos sobre suas trajetórias e a luta pela terra.
Para Vitor Passos, da direção estadual do MST da regional Recôncavo, a participação dos jovens representa um importante passo na aproximação entre a produção científica e os territórios da Reforma Agrária.
“É uma jornada em que a Bahiana assume o compromisso com uma formação crítica, fortalecendo também o vínculo com uma ciência com os pés fincados no território. É um importante programa de extensão, porque possibilita que os filhos e filhas de assentados da Reforma Agrária contribuam com a produção científica e tecnológica a partir da realidade em que vivem”, destacou.
Segundo Vitor, a experiência também fortalece a parceria entre a instituição de ensino e o Movimento, especialmente na construção de pesquisas que dialoguem com as necessidades concretas das comunidades. “Foi fundamental a participação dos assentados, dos filhos e filhas de assentados e também da organização. É uma experiência que contribui para fortalecer e reajustar essa parceria do MST com a Bahiana”, afirmou.
Para a jovem Alana Silva Alencar, residente do assentamento Pau Brasil e estudante do Centro Educacional Antônio Figueiredo, a participação na jornada representou uma experiência nova e uma oportunidade de ampliar seus conhecimentos e estabelecer contato com outras pessoas.
“Essa experiência foi nova para mim. Foi muito legal participar e interagir com outras pessoas. Fazer essa pesquisa também foi importante para a comunidade. Espero que, daqui para frente, a gente possa ter mais atividades assim para desenvolvermos mais”, relatou.
A pesquisa desenvolvida por Alana abordou a história do MST e as condições de vida nos territórios da Reforma Agrária, buscando compreender como os sujeitos que vivem nessas comunidades se sentem diante das experiências vivenciadas ao longo da luta pela terra.
A presença da juventude Sem Terra na Jornada de Iniciação Científica reforça a importância de ampliar os espaços de diálogo entre universidade, ciência e territórios populares. Ao ocupar esses espaços, jovens assentados passam também a se reconhecer como sujeitos produtores de conhecimento, contribuindo para que a pesquisa científica dialogue cada vez mais com as realidades sociais do campo.
Mais do que apresentar trabalhos acadêmicos, a participação dos jovens do MST reafirma a importância de uma ciência comprometida com a realidade brasileira e capaz de reconhecer os territórios da Reforma Agrária como espaços de produção de conhecimento, formação e transformação social.