
Aliados do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, classificaram como “desastrosa” a reação dele à polêmica que o associou a proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O grupo avalia que o senador agravou um problema já difícil de conter ao atribuir a integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participação na disseminação da mentira.
Durante agenda em Goiânia, no domingo (27), Flávio afirmou que o PT conseguiu espalhar a informação “com ajuda de gente dentro da CNBB”. “A maior fake news dessa campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida, algo que nunca, não existia esse movimento pra tirar ela de ser padroeira do Brasil, jamais existia, não tem projeto, não tem nada”, disse.
A CNBB negou qualquer envolvimento na produção ou na circulação de informações falsas sobre o processo eleitoral. Em nota, a entidade declarou que “a mentira não se combate com outra mentira” e afirmou que acusações sem fatos ou provas atingem injustamente a instituição.
À CNN Brasil, pessoas próximas ao candidato disseram que a menção à CNBB não constava na estratégia inicial de resposta. Elas atribuíram a fala ao desgaste provocado pela pressão do caso e consideraram que a campanha abriu uma frente de conflito com a instituição religiosa a poucos dias do primeiro turno.
🇧🇷 Flávio Bolsonaro acusa PT e “gente de dentro da CNBB” (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) de disseminarem “fake news” sobre Nossa Senhora Aparecida.pic.twitter.com/jqT1ahoYdf
— Eixo Político (@eixopolitico) September 27, 2026
Decisões judiciais e debate entram na estratégia de Flávio
A notícia viralizou nas redes sociais na noite de quinta-feira (24), depois que um comentário na GloboNews mencionou preocupação de bispos com uma retirada do título de padroeira. Flávio publicou um vídeo para negar a alegação poucas horas depois, e o canal pediu desculpas pelo suposto erro.
Na sexta-feira (25), a defesa do senador recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar remover publicações que o vinculavam, ou vinculavam sua família, à intenção de mudar o status de Nossa Senhora Aparecida.
O ministro André Mendonça determinou a indisponibilização imediata de 1.170 links em redes como X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube, desde que reproduzissem o conteúdo delimitado na decisão.
Entre os conteúdos alcançados estava uma publicação do humorista Antônio Tabet no X. O post falava que uma “família miliciana” teria atacado Nossa Senhora Aparecida, sem citar Flávio nominalmente. Após recurso de Tabet, o ministro Flávio Dino, do STF, derrubou a decisão de Mendonça no domingo (27).
Na segunda-feira, Dino enviou o caso ao plenário, enquanto a equipe jurídica de Flávio apresentou recurso ao ministro Luiz Fux para pedir a suspensão da medida. Aliados do candidato questionaram a decisão de buscar a derrubada de posts como o de Tabet e resumiram a avaliação com a frase: Flávio “mordeu a isca”.
A campanha decidiu que Flávio participará do debate da TV Globo na quinta-feira (1º), mesmo se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não comparecer. O plano é usar o encontro para defender o voto útil entre eleitores de direita, fixar o número do candidato e apresentar propostas na reta final.