
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, entrou neste sábado (26) na controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida e as decisões da Justiça Eleitoral sobre publicações ligadas a Flávio Bolsonaro. Em postagem no X, o petista afirmou que proibir católicos de manifestar sua devoção seria “um triste capítulo de censura” e declarou: “Ninguém vai nos calar!”.
“Nós, católicos, respeitamos todas as religiões, suas tradições e suas crenças. E também queremos ser respeitados”, escreveu Guimarães. O ministro acrescentou que defender a fé, honrar Nossa Senhora Aparecida e expressar devoção à padroeira é um direito que deve ser preservado. A mensagem termina com “CENSURA NUNCA MAIS!” e uma oração à santa.
Guimarães não cita nominalmente André Mendonça nem Flávio Bolsonaro na publicação. A manifestação, porém, ocorre no momento em que o ministro do Tribunal Superior Eleitoral ampliou a retirada de publicações sobre Nossa Senhora Aparecida após pedido da campanha do candidato do PL.
Proibir católicos de defenderem e manifestarem sua devoção à Nossa Senhora Aparecida seria um triste capítulo de censura contra uma fé que faz parte da história e da cultura do nosso país.
Ninguém vai nos calar! Estaremos juntos, cada vez mais unidos, para defender a liberdade…
— José Guimarães (@joseguimaraesce) September 26, 2026
A decisão de Mendonça alcança conteúdos que apresentem como fato a afirmação de que Flávio Bolsonaro ou sua família propôs, apoiou ou pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O magistrado classificou essa narrativa como “notoriamente inverídica” e determinou que plataformas removam publicações enquadradas nesse núcleo. O próprio despacho ressalva críticas e manifestações opinativas que não apresentem a acusação como fato.
A abrangência da medida provocou questionamentos porque conteúdos de diferentes perfis foram atingidos. Entre eles estão publicações associadas a Erika Hilton, Leonardo Boff e Jean Wyllys, além do post do humorista Antonio Tabet que deu origem à controvérsia. A defesa de Tabet argumenta que sua mensagem sequer citava Flávio Bolsonaro e acusa Mendonça de censura.
A reação de Guimarães se soma à crítica feita pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, que acusou a campanha de Flávio Bolsonaro de fazer “uso ostensivo” da Justiça. Messias afirmou que tribunais não devem servir como extensão da disputa política e defendeu proteção à liberdade de expressão durante a campanha.
A disputa agora ultrapassa a veracidade da alegação original sobre o título da padroeira e passou a envolver os limites das ordens de remoção durante a eleição. Guimarães transformou esse debate em uma defesa aberta da liberdade religiosa, enquanto o TSE ainda terá de referendar a decisão complementar de Mendonça.