
A Folha de S.Paulo entrou neste sábado (26) no linchamento da jornalista Maria Cristina Fernandes ao associar seu nome à disseminação de uma suposta fake news sobre Nossa Senhora Aparecida.
O jornal alega que a informação de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretenderia retirar da santa o título de Padroeira do Brasil ganhou força depois de uma fala da comentarista da GloboNews. O problema é que não foi isso que Maria Cristina disse.
A jornalista relatou a existência de um movimento de reação dentro da Igreja Católica diante da percepção de que setores evangélicos poderiam tentar destituir Nossa Senhora Aparecida da condição de Padroeira do Brasil. Sua apuração, portanto, dizia respeito ao que circulava e provocava preocupação entre católicos, e não à existência de um projeto de lei atual apresentado por Flávio Bolsonaro.
Mesmo assim, a Folha escreve que “a fake news ganhou tração depois que a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews”, falou sobre o assunto. Canalhice e covardia típicas da Folha contra uma profissional séria.
A própria GloboNews já havia submetido Maria Cristina a um constrangimento público ao apresentar uma retratação no ar. A emissora afirmou que a informação mencionada pela comentarista teria como base um projeto de lei arquivado quase duas décadas atrás.
Em 2007, o então deputado federal Victorio Galli apresentou um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A proposta foi arquivada no ano seguinte. Galli viria posteriormente a integrar o governo Jair Bolsonaro como assessor especial da Presidência da República. Está fazendo campanha para Flávio.
Há declarações recentes de Flávio Bolsonaro que ajudam a explicar por que o tema encontrou terreno fértil. Em vídeo gravado em 23 de agosto, ao justificar sua ausência no debate da Band, ele afirmou: “Quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.
Uma coisa é afirmar como fato que Flávio Bolsonaro possui um projeto para acabar com o título de Padroeira do Brasil. Outra, bastante diferente, é noticiar que católicos identificam um movimento nesse sentido e estão reagindo a ele. Foi sobre essa segunda questão que Maria Cristina falou.
A Globo pipocou com medo de bozoloide, mas a informação trazida pela Maria Cristina é real, uma informação de bastidor dos arcebispos preocupados que Flávio Bolsonaro ressuscite projeto para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. pic.twitter.com/PUPX2VpcIu
— GugaNoblat (@GugaNoblat) September 25, 2026
Evangélicos odeiam Nossa Senhora Aparecida. Essa cruzada está na boca dos pastores e da bancada da Bíblia. O episódio mais marcante da campanha odienta foi o chute na santa do bispo da Universal Sérgio Von Helder na TV Record em 1995.
Na sexta-feira (25), André Mendonça, ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a censura de 1.170 links que associavam Flávio Bolsonaro ou sua família à intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida.
Mendonça classificou a alegação como “notoriamente inverídica” e ordenou às plataformas que atuassem preventivamente contra conteúdos que reproduzissem esse núcleo de informação. A própria ordem faz uma ressalva para publicações jornalísticas e conteúdos destinados a desmentir a alegação.
Piadas e menções a “família de milicianos” foram levadas de roldão. O que começou como uma apuração sobre uma preocupação existente em setores da Igreja Católica acabou transformado em execração pública da jornalista, num conluio entre a mídia hereditária e o bolsonarismo.
O objetivo comum é eleger Flávio Bolsonaro.