Marinha dos EUA confirma 8 tentativas de suicídio após Trump negar denúncias

USS Abraham Lincoln
Tripulantes do USS Abraham Lincoln no deck principal do navio enquanto ele seguia em direção a Tailândia, após meses de serviço no Oriente Médio. Foto: Chalinee Thirasupa/Reuters

O governo dos Estados Unidos reconheceu oito tentativas de suicídio entre militares ligados ao grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln durante seu prolongado destacamento. A informação foi fornecida pelo secretário encarregado da Marinha, Hung Cao, em resposta à senadora democrata Kirsten Gillibrand e divulgada pela Reuters.

Os oito casos não ocorreram necessariamente dentro do porta-aviões. Segundo Cao, o número abrange a tripulação do Abraham Lincoln e militares das aeronaves e embarcações que acompanham o navio. O secretário afirmou que não houve mortes por suicídio durante o destacamento. Em um dos episódios detalhados, um marinheiro caiu ao mar no início de agosto, foi rapidamente resgatado e desembarcado. Em março, outro tentou se lançar ao mar, mas foi impedido por companheiros e posteriormente enviado de volta ao porto de origem.

A confirmação oficial ocorre depois de meses de alertas sobre o desgaste psicológico provocado pela duração da missão. Em agosto, militares e familiares já relatavam tentativas de integrantes da tripulação de se jogar ao mar, além de problemas de saúde mental e condições precárias. Parlamentares e parentes também denunciaram escassez de alimentos e dificuldades de higiene.

Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Joyce N. Boghosian/Casa Branca

Trump rejeitou essas denúncias naquele período e atacou a cobertura da imprensa sobre as condições enfrentadas no Abraham Lincoln. Ao ser questionado no Salão Oval, o presidente classificou como falsa uma reportagem da CNN e afirmou que o navio era “muito bem cuidado”. A confirmação das oito tentativas não comprova por si só todas as demais denúncias sobre alimentação, higiene ou abastecimento, mas confirma oficialmente a existência de episódios graves de sofrimento psicológico durante o destacamento.

O Abraham Lincoln deixou San Diego em 21 de novembro de 2025 para uma missão inicialmente destinada ao mar do Sul da China. Depois, foi redirecionado ao Oriente Médio em apoio à ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro. No começo de setembro, o porta-aviões fez uma escala na Tailândia depois de 286 dias no mar.

A Marinha afirma que disponibilizou recursos de apoio psicológico durante a missão. Cao citou cinco capelães, um psicólogo, um assistente social e um cão de apoio emocional entre os recursos existentes a bordo. Com o reconhecimento oficial dos oito casos, a discussão deixa de depender exclusivamente dos relatos de familiares e militares e passa a incluir uma estatística confirmada pelo próprio governo estadunidense sobre o impacto humano de uma missão excepcionalmente prolongada.

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