Michale Graves: mobilização antifascista derruba turnê de cantor ligado à extrema direita

Michale Graves com maquiagem escura nos olhos
Michale Graves, ex-vocalista do Misfits. Foto: Reprodução

A produtora Caveira Velha cancelou a turnê de Michale Graves no Brasil, que previa cinco apresentações entre esta quarta-feira (23) e domingo (27). A decisão foi anunciada após uma mobilização de grupos antifascistas contra o ex-vocalista do Misfits, que declarou ter ingressado no Proud Boys, grupo de extrema direita dos Estados Unidos. As informações são do site Igor Miranda.

Em comunicado divulgado na terça-feira (22), a produtora afirmou que suspendeu a agenda “em compromisso com a segurança do público e de toda a equipe de produção”. Os ingressos comprados pela internet serão reembolsados automaticamente. Quem adquiriu entradas em pontos físicos deverá procurar o local da compra.

A programação começaria no Espaço Marin, em Porto Alegre, e seguiria para o John Bull, em Florianópolis, e o Basement Cultural, em Curitiba. Em São Paulo, Graves faria uma sessão acústica na Galeria do Rock e encerraria a turnê no Hangar 110.

Antes do cancelamento de toda a agenda, a Ação Antifascista Social havia convocado uma manifestação em frente ao Espaço Marin para esta quarta-feira, caso o show fosse mantido. No domingo (20), o coletivo anunciou a suspensão da apresentação na capital gaúcha como uma “vitória da mobilização antifascista”. O grupo contestou o vínculo de Graves com o Proud Boys e seu apoio às ações de apoiadores de Donald Trump que invadiram o Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

O deputado estadual Leonel Radde (PT), do Rio Grande do Sul, também comemorou o cancelamento da apresentação em Porto Alegre. “A mobilização popular e a firmeza da militância antifascista deram o recado direto: Porto Alegre não é palco para figurinhas ligadas ao neonazismo!”, escreveu nas redes sociais.

Em 2020, Graves publicou uma mensagem de apoio ao Proud Boys, posteriormente apagada. Em entrevista de 2022 ao jornalista Marcelo Vieira, confirmou ter ingressado no grupo e declarou: “Me juntar ao Proud Boys foi a minha maneira de dizer que este é o lado que escolho; o lado da não violência.”

O Proud Boys teve integrantes condenados por crimes relacionados à invasão do Capitólio, quando apoiadores de Trump tentaram impedir a certificação da vitória eleitoral de Joe Biden. Entre eles estava Joseph Biggs, condenado em 2023 a 17 anos de prisão por conspiração sediciosa.

Em fevereiro, após perder apresentações na Inglaterra sob pressão popular, afirmou respeitar quem tivesse opiniões diferentes ou decidisse não comparecer. Na ocasião, disse que seus shows eram sobre “música, comunidade e paixão compartilhada” e que não promoviam “violência, ódio ou danos”.

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