Transformado em uma sabatina de 30 minutos por conta da ausência do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o debate na TV Record, exibido também no R7 e no Record Plus, nesta segunda-feira (21), tornou-se palco para que Fernando Haddad (PT) apresentasse suas diretrizes para São Paulo e criticasse a postura do adversário em fugir do confronto direto.
Pelas regras acertadas com as campanhas, diante do não comparecimento de um dos postulantes, o candidato presente teve o tempo integral para expor seu projeto de gestão.
Logo na abertura, Haddad lamentou a ausência do oponente e ressaltou que, somados, os dois concentram quase 90% das intenções de voto. Para ele, o esvaziamento do debate privou o eleitorado de comparar diagnósticos e saídas para áreas cruciais. “A ausência dele revela não só um desrespeito com o eleitor, mas revela também que as propostas dele não são convincentes para garantir um segundo mandato”, disparou o ex-ministro da Fazenda.
Haddad projetou uma virada nas urnas na reta final do pleito, lembrando a trajetória de sua candidatura à prefeitura da capital em 2012. Ele adiantou que sua prioridade imediata ao assumir o Palácio dos Bandeirantes será a revisão ampla de contratos celebrados na atual gestão e classificados por ele como lesivos ao interesse público. Entre os alvos prioritários estão a privatização da Sabesp, citada como campeã de reclamações e responsável por desabastecimentos na capital, os contratos do sistema Free Flow (pedágios) e a concessão da CPTM, cujos trens, segundo apontou, apresentam 27% a mais de falhas do que no período sob gestão estatal.
Embora reconheça os obstáculos jurídicos para restatizar a empresa de saneamento sem o pagamento de indenizações abusivas às custas dos cofres públicos, o ex-ministro deixou claro que não haverá leniência com o descumprimento de metas nem tolerância com o apetite do mercado financeiro sobre os serviços essenciais. “O estado de São Paulo, sob o meu comando, vai colocar o interesse do usuário na frente do interesse do setor privado. A Faria Lima vai ter que esperar um pouquinho porque ela tem muita ganância para se apropriar do que é público e pouca vontade de entregar o que prometeu antes da privatização. Vamos parar com esse esquema de vender tudo”, declarou.
Na área da segurança pública, o foco do plano de governo será o enfrentamento ao crime organizado por meio da criação de uma Agência Antifacção subordinada diretamente ao governador e integrada por órgãos estaduais — as polícias Civil e Militar — e federais — a Polícia Federal e a Receita Federal.
O candidato argumentou que o combate às facções exige inteligência e cooperação federativa no mesmo modelo descentralizado adotado na saúde pública.
“Não existe o roubo de rua que não tenha por trás um crime de receptação”, frisou Haddad ao defender investimentos na Polícia Civil e na ampliação de tecnologias como o “BO por Zap” e ferramentas de inteligência artificial para nortear o patrulhamento em tempo real. “Se nós não fizermos uma cooperação federativa, do jeito que o SUS funciona, nós não vamos avançar contra o crime organizado.”
O plano de diretrizes de Haddad abrange ainda a criação de um banco de desenvolvimento estadual destinado ao apoio às Santas Casas e à reindustrialização paulista no contexto da reforma tributária, além de medidas para zerar filas no atendimento de saúde com a implantação de Hospitais Dia.
Na educação, Haddad propôs o resgate do ensino médio público por meio da expansão do modelo pedagógico dos Institutos Federais para a Fundação Paula Souza e para a rede regular de ensino do estado.