VÍDEO mostra investigados por fraude no INSS discutindo como esconder dinheiro

Anderson Cordeiro Vasconcelos e Igor Dias Delecrode conversam em uma residência
Anderson Cordeiro Vasconcelos e Igor Dias Delecrode conversam em uma residência. Foto: Reprodução

Gravações feitas na casa do empresário Anderson Cordeiro Vasconcelos, investigado na Operação Sem Desconto, registraram conversas sobre esconder recursos, proteger bens e uma possível retomada dos negócios ligados a associações de aposentados. Os vídeos foram gravados em 22 de maio de 2025, um mês depois das buscas da Polícia Federal no caso que apura descontos indevidos do INSS, segundo o Estadão.

Anderson recebeu em sua residência em Alphaville, em Santana de Parnaíba (SP), Igor Dias Delecrode, também investigado, e a namorada dele. Em trecho da conversa, Delecrode reclamou dos bloqueios bancários: “Eu tenho dinheiro que tá aplicado. Aí não tem como tirar”.

Ao ser questionado sobre a retirada dos valores, Delecrode respondeu que pretendia transferir os recursos. “Ter tem, seis meses, já pedi a baixa. Vou pôr tudo em dólar digital, tudo, tudo”, disse. A expressão costuma designar criptomoedas atreladas ao dólar, que podem dificultar o rastreamento de transações.

Anderson afirmou que tentaria preservar um apartamento comprado com outros sócios sob investigação. “Um apartamento que eu não quero perder é aquilo. Isso vai valer uma fortuna”, disse. Ele também falou que o negócio das associações voltaria: “Não sabemos quando e como, mas ele vai voltar”.

Associações receberam mais de R$ 700 milhões em descontos

Anderson e Delecrode integram o grupo chamado de “golden boys”, formado ainda por Américo Monte Jr. e Felipe Macedo Gomes. Embora tenham entre 28 e 38 anos, eles presidiram ou são suspeitos de controlar entidades voltadas a aposentados, entre elas AASAP, Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev e ANDAPP.

As quatro associações faturaram mais de R$ 700 milhões com descontos sobre benefícios previdenciários. A investigação apontou que mais de R$ 100 milhões recebidos pelas entidades seguiram para empresas ligadas aos quatro empresários e, depois, para parentes deles.

A Controladoria-Geral da União identificou que 98% dos aposentados consultados não autorizaram os descontos associativos. A investigação da PF apura um esquema que teria desviado R$ 6,2 bilhões diretamente das folhas de pagamento de milhões de beneficiários do INSS e suspeita de pagamento de propina a dirigentes do órgão para manter acordos com as entidades.

A PF apreendeu 29 carros avaliados em R$ 28 milhões com o grupo, incluindo Ferraris, BMWs e Porsches. Em abril de 2026, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou o uso de tornozeleiras eletrônicas pelos empresários.

Os advogados de Anderson, Igor e Felipe disseram desconhecer “a existência, a autenticidade e a integridade dos vídeos em questão” e afirmaram que, se existirem, as gravações foram obtidas de forma ilícita.

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