O Rússia Unida, partido do presidente Vladimir Putin, conquistou 355 das 450 vagas da Duma, a Câmara dos Deputados do país. O Partido Comunista da Federação Russa (PCFR) ficou em segundo lugar e elegeu 40 parlamentares.
Os números ainda são preliminares. Com mais de 95% das urnas apuradas, o Rússia Unida recebeu 57,8% dos votos nas listas partidárias. Os comunistas tiveram 13,8%, seguidos pelo Partido Liberal Democrata, com 8,9%, e pelo Novo Povo, com 7,9%. O Rússia Justa superou por pouco a cláusula de barreira de 5%.
A eleição ocorreu entre sexta-feira (18) e domingo (20). Segundo a Comissão Eleitoral Central, mais de 113 milhões de pessoas estavam aptas a votar, incluindo 1,8 milhão de eleitores registrados no exterior. A participação passou de 59%.
A Duma é eleita por um sistema misto. Metade das 450 vagas é distribuída de acordo com a votação dos partidos. As outras 225 são definidas em disputas por distrito. O desempenho nessas eleições locais garantiu ao Rússia Unida uma bancada muito superior à porcentagem obtida pela legenda na votação nacional.
O partido ampliou a maioria em relação a 2021, quando conquistou 326 vagas. O resultado também superou as 343 cadeiras obtidas em 2016. Com mais de dois terços da Duma, o Rússia Unida continuará com votos suficientes para aprovar mudanças constitucionais sem depender de outras legendas.
O Partido Comunista manteve a posição de segunda maior força parlamentar, embora tenha perdido espaço. A sigla havia eleito 57 deputados em 2021. Agora, terá 40 representantes.
Entre os eleitos estão 49 veteranos da operação militar russa na Ucrânia. O secretário-geral do Rússia Unida, Vladimir Yakushev, afirmou que a presença desses militares será uma “contribuição bastante significativa” ao novo Parlamento.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, avaliou que o resultado mostrou a unidade dos russos em torno do governo. “Esses indicadores apontam, naturalmente, para o mais alto nível de consolidação da sociedade russa em torno do chefe de Estado”, declarou.
O presidente do Rússia Unida, Dmitry Medvedev, disse que o resultado representa um mandato para o cumprimento do programa apresentado aos eleitores. “Tendo recebido esse mandato do eleitorado, devemos agora começar a implementar nosso programa nacional”, afirmou.
Ataques durante a votação
A eleição foi realizada sob uma série de ataques ucranianos contra Moscou e regiões próximas à linha de frente. Segundo autoridades russas, mais de 1.600 drones foram lançados em diferentes direções durante a maior ofensiva do tipo contra a capital desde o início do conflito.
Dois civis morreram nos arredores de Moscou. Prédios residenciais, instalações civis e uma refinaria de petróleo também foram atingidos. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, 74 edifícios usados por comissões eleitorais foram danificados ou destruídos em dez regiões.
Peskov classificou os ataques como uma tentativa de sabotar a votação. “Foi uma tentativa de interromper estas eleições”, disse. Segundo ele, a ofensiva “não teve efeito” sobre o pleito.
A presidente do Conselho da Federação, Valentina Matviyenko, afirmou que a participação popular demonstrou a resistência do país diante da pressão externa. Para ela, fracassou a tentativa de provocar divisões internas na sociedade russa.
A votação também ocorreu na Crimeia e nas regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporozhye, incorporadas pela Rússia. A Ucrânia e governos ocidentais não reconhecem a soberania russa sobre esses territórios.
A China felicitou a Rússia pelo resultado. Em nota, Pequim afirmou que “apoia firmemente a escolha independente do povo russo” e disse estar disposta a trabalhar com Moscou para cumprir os acordos firmados entre Putin e o presidente chinês, Xi Jinping.