Neste domingo (20), o presidente Lula embarcou rumo a Nova York (EUA), onde participa da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Na terça-feira (22), o líder brasileiro faz o discurso de abertura do debate geral. A posição é tradicionalmente ocupada pelo Brasil desde a 10ª sessão da Assembleia Geral, em 1955.
Esta será a 10ª vez que Lula discursa na ONU. Ele já abriu o debate geral nos seguintes anos: 2003, 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2023, 2024 e 2025.
Em 2005 e 2010, quando também era presidente, quem discursou na abertura dos trabalhos foi o então chanceler Celso Amorim. Em 2005, Lula não fez o discurso de abertura, mas foi a Nova York para outras reuniões durante a Assembleia. Portanto, o total de participações do presidente chega a 11.
Segundo o Planalto, Lula deverá reforçar em seu discurso:
- a importância do multilateralismo;
- o respeito ao direito internacional humanitário;
- a não interferência em assuntos de outros países;
- a reforma da ONU e do Conselho de Segurança.
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A Assembleia ocorre em meio a uma situação que dificilmente poderá ser ignorada: a ONU enfrenta uma de suas crises mais graves desde a sua criação. A organização sofre com a escassez de recursos, que levou sua cúpula a alertar, no início do ano, para um possível colapso financeiro.
Ao mesmo tempo, o Conselho de Segurança, principal instância decisória da entidade, encontra-se paralisado pelos interesses das grandes potências. O impasse ocorre justamente quando o mundo registra o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial e quando o princípio do multilateralismo, base da atuação da ONU, vem sendo colocado em xeque por importantes chefes de Estado.
É nesses pontos que o discurso de Lula deve tocar. Em 2023, Lula focou seu discurso contra as desigualdades, ao criticar a concentração de riqueza nas mãos de poucos, enquanto muitos vivem sob a ameaça da fome. Além disso, defendeu reformas nos organismos internacionais e criticou o neoliberalismo.
No ano seguinte, em 2024, manteve a firme postura pela reforma da ONU, fez um apelo pela proteção do meio ambiente e defendeu regras para corporações e plataformas digitais. Já no ano passado, 2025, defendeu a democracia nacional contra os falsos patriotas que “arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil”, reafirmou a soberania do País e ainda condenou o genocídio em Gaza.
Durante a Assembleia Geral, o presidente Lula se reunirá com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que está no fim do seu segundo mandato e deixa o comando da ONU ao final do ano.
O líder brasileiro ainda se reunirá com Zohran Mamdani, prefeito de Nova York (EUA), que solicitou um encontro.
Ainda na terça, o presidente volta ao Brasil.
A caminho de Nova York. Lá, mais uma vez, terei a honra e a responsabilidade de representar o Brasil e o povo brasileiro na Assembleia Geral da ONU.
Somos um país soberano, de economia forte e que cuida da sua população e das suas riquezas. Que respeita todo mundo e exige…
— Lula (@LulaOficial) September 20, 2026
A comitiva presidencial é composta pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias; a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; o ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena; e a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros.