Entrevista

José Múcio: da logística das urnas rumo a áreas remotas à proteção das fronteiras do Brasil

Enquanto candidatos disputam votos e participam de debates, o Ministério da Defesa atua para que todos os brasileiros exerçam o direito de votar. A pasta, a cargo do ministro José Múcio Monteiro de Melo (foto: Valter Campanato/Agência Brasil), prestará apoio logístico nas eleições de 2026 em 128 localidades, de 42 municípios, de sete estados brasileiros. Em um país de 4.394 km de norte a sul e área de 8.515.767 km², segundo o IBGE, os desafios não se restringem ao período eleitoral: o combate ao crime organizado e a proteção às fronteiras estão na ordem do dia de José Múcio.

Qual deve ser a atuação do Ministério da Defesa nas eleições? 

As Forças Armadas prestam apoio à Justiça Eleitoral para garantir que o processo ocorra de forma segura e alcance todas as regiões do país. Para esse fim, o Ministério da Defesa coordena a atuação entre o Tribunal Superior Eleitoral e as Forças Armadas, especialmente nas atividades de apoio logístico e na chamada Garantia da Votação e Apuração (GVA).

Em que consiste este apoio logístico?

Transporte de urnas eletrônicas, equipamentos e equipes da Justiça Eleitoral para localidades de difícil acesso, com o emprego de aeronaves, embarcações e viaturas militares. Nas eleições de 2022, as Forças Armadas apoiaram o transporte de cerca de 4,8 mil urnas para regiões remotas, especialmente na Amazônia Legal. Para a Garantia da Votação e Apuração, Marinha, Exército e Aeronáutica atuam em locais indicados pela Justiça Eleitoral para reforçar a segurança pública e contribuir para a votação e apuração dos votos. Em 2022 a GVA atuou em aproximadamente 570 municípios e 4,6 mil locais de votação.

Qual deve ser a prioridade da Defesa brasileira nos próximos dez anos?

Fortalecer a capacidade de dissuasão e a prontidão das Forças Armadas, assegurando a proteção da soberania nacional em um cenário internacional mais complexo e imprevisível. Será fundamental avançar na modernização dos meios militares, no fortalecimento da Base Industrial de Defesa e na incorporação de tecnologias estratégicas, como defesa cibernética, inteligência artificial, sistemas espaciais e sistemas avançados de monitoramento. Esse esforço requer investimentos compatíveis com as necessidades do setor, de modo a preservar a autonomia nacional, proteger os interesses estratégicos do país e manter a capacidade de resposta diante dos desafios do ambiente internacional.

O cenário internacional de instabilidade e tensões em diferentes regiões altera as prioridades da política de defesa brasileira?

O cenário internacional é acompanhado com atenção permanente. Os conflitos em diferentes regiões do mundo reforçam a importância de Forças Armadas preparadas, modernas e capazes de responder aos desafios do presente e do futuro. As prioridades estratégicas da Defesa Nacional permanecem consistentes: a soberania do país, a garantia da integridade do território nacional, defender nossos interesses estratégicos e contribuir para a paz e a estabilidade regional.

Sobre a proteção das fronteiras nacionais e o enfrentamento ao crime, como o ministério da Defesa estrutura essa atuação? 

As Forças Armadas mantêm organizações militares na região amazônica e Pelotões Especiais de Fronteira em áreas remotas e sensíveis. O monitoramento e a proteção das fronteiras da Amazônia estão estruturados no âmbito do Programa de Proteção Integrada de Fronteiras, que orienta a atuação integrada e coordenada entre órgãos federais, estaduais e municipais, com foco na prevenção, controle, fiscalização e repressão de crimes.  São exemplos as Operações Ágata – de caráter preventivo e que ampliam a eficiência no combate ao tráfico de drogas – contrabando e delitos ambientais. 

O Brasil tem tradição de equilíbrio nas relações internacionais. Como influencia a cooperação com Estados Unidos, China, Europa e países do Brics?

A política externa e de defesa brasileira é pautada pela autonomia, diálogo e respeito ao direito internacional. Essa tradição de equilíbrio permite ao Brasil manter relações construtivas com diferentes parceiros internacionais, orientadas pelos interesses nacionais. Nossa atuação busca construir pontes e contribuir para a estabilidade internacional, preservando a independência de nossas decisões. Isso se traduz em uma cooperação diversificada. Mantemos programas de intercâmbio, treinamento, exercícios conjuntos e parcerias tecnológicas com os Estados Unidos. Com países europeus, desenvolvemos projetos voltados à Indústria de Defesa, inovação e capacitação de recursos humanos. Com a China, ampliamos o diálogo institucional e as oportunidades de cooperação em áreas de interesse comum, especialmente em tecnologia e monitoramento. Já no âmbito dos Brics buscamos fortalecer a confiança, o intercâmbio de experiências e a cooperação em temas como segurança internacional, defesa cibernética e operações de paz.

Raquel Ayres

Artigo Anterior

Alckmin defende mandato e código de ética no STF

Próximo Artigo

Próximo presidente herdará dívida bruta de quase 86% do PIB

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!