
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, classificou como “brevíssima e banal” a ligação que teve com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, três dias antes de a imprensa divulgar uma foto dos dois em uma mesa com charuto e uísque em Londres, no Reino Unido.
Na sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), Gonet também afirmou que seu único encontro com Vorcaro havia ocorrido na presença de “várias autoridades”. A foto, localizada pela Polícia Federal em mensagens extraídas do celular do banqueiro, foi tirada durante uma degustação de uísque em evento reservado a autoridades e patrocinado pelo Master.
Ao tratar do assunto no STF, o chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR) disse: “Não existe e nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024. A única ligação, intermediada por um advogado, foi brevíssima e banal”.
Gonet declarou ainda que as mensagens encontradas no celular de Vorcaro que mencionavam seu nome não tinham “nenhuma relevância jurídica”. Ele citou o resultado da Informação de Polícia Judiciária para sustentar que o material não apontava elemento contra ele.

Mensagem enviada ao celular de Vorcaro acompanhou a fotografia
A imagem chegou ao celular de Vorcaro em 19 de junho de 2025, enviada pelo advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master. A mensagem que acompanhava a foto dizia: “PG me mandou”, em referência às iniciais de Paulo Gonet.
A assessoria da PGR confirmou a autenticidade da imagem e informou que não comentaria o caso. Pessoas próximas a Gonet afirmaram que a fotografia foi feita em abril de 2024 e que ela não indicaria intimidade entre o procurador-geral e o banqueiro.
As conversas entre Soares e Vorcaro que citam Gonet se tornaram públicas duas semanas antes, quando o ministro André Mendonça divulgou um relatório da Polícia Federal que também reunia menções ao ministro Alexandre de Moraes.
Mendonça pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que o caso seguisse para análise do plenário. A Corte discutiu o tema na mesma sessão em que Gonet falou sobre Vorcaro, mas o ministro Flávio Dino interrompeu o julgamento ao pedir vista.
Na sessão, Gonet negou qualquer irregularidade e disse que Mendonça reconheceu não haver no material recolhido “nada que pudesse induzir alguma prática de ilícito por parte do procurador-geral da República”.