
Danilo Morgado (PL), candidato a deputado estadual preso na quinta-feira (17) durante a Operação Vectura Corrupta, havia publicado dias antes em suas redes uma fotografia ao lado de André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), acompanhada de uma série de palavras de apoio ao magistrado.
A foto foi postada por Morgado em 4 de setembro, menos de duas semanas antes de sua prisão. Na imagem, ele aparece ao lado de Mendonça, a quem dedica uma defesa pública diante da crise envolvendo o STF e as mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Morgado afirma que Mendonça teve “a coragem de retirar o sigilo e expor a relação de Vorcaro com Alexandre de Moraes”.
“Dois dias depois, é acusado pelo próprio Moraes no inquérito das fake news”, escreveu Morgado. O candidato foi além e apresentou o episódio como uma reação de um suposto “sistema” à atuação de Mendonça. “Isso não é coincidência. É o sistema reagindo quando sente que a verdade está vindo à tona”, disse.
“Ore pela vida do ministro André Mendonça. Ele está sozinho na cova dos leões, mas debaixo das orações de um país inteiro. Eu me posiciono ao lado do ministro André Mendonça! Ao lado de quem está do lado certo, custe o que custar”.
Finalizou em grande estilo: “Em um país onde o criminoso acusa quem denuncia os seus crimes, a gente não pode ficar calado”.
Nos atos de 7 de Setembro, André Mendonça foi homenageado por manifestantes e recebeu declarações públicas de apoio de candidatos à Presidência e outros políticos. Criaram até um pixuleco para ele.

Prisão na Operação Vectura Corrupta
Morgado foi preso pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo numa operação que investiga suspeitas de infiltração do PCC em estruturas políticas e no setor de transporte público.
Segundo as investigações, a campanha dele à Prefeitura de Praia Grande em 2024 recebeu recursos ligados à facção. Ele nega as acusações e afirma que é vítima de perseguição política. A investigação ainda está em curso.
A Vectura Corrupta também alcançou outros nomes da política paulista. Entre os alvos está o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, além de Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. As investigações apuram como o crime organizado teria buscado influência sobre o sistema de transporte e financiamento político.
Além de Morgado, outros três homens apontados pela investigação como ligados ao PCC foram presos na Baixada Santista.
André Cassali, conhecido como “Irmão Beringela”, é apontado como um dos responsáveis pelo setor financeiro da facção e pela logística do transporte de drogas da fronteira com a Bolívia até a Baixada Santista. Ele também seria um interlocutor direto do PCC, atuando como intermediário entre integrantes da organização, empresários, advogados, políticos e pessoas próximas a políticos.
Edson Antonio de Souza, o “Peru”, é apontado como responsável por intermediar interesses do PCC em procedimentos de licitação realizados em diferentes municípios.
Já José Ronaldo Alves de Sales, segundo a investigação, teria atuação nos meios político e de transportes, fazendo a ligação entre integrantes do PCC e políticos e auxiliando em processos licitatórios. Ele também é apontado como participante de um esquema de corrupção de agentes públicos ainda não identificados.
Em 2023, a Justiça determinou a cassação de seu registro eleitoral e o impediu de disputar eleições até 2028. Na ocasião, o juiz Aléssio Martins Gonçalves entendeu que houve abuso de poder econômico na campanha de Morgado e de sua candidata a vice-prefeita em 2020, Indaiá Amaral Dias.