
Emendas parlamentares do deputado federal e delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) destinaram mais de R$ 2,1 milhões à compra de simuladores de tiro da Empresa Brasileira de Tecnologias e Sistemas (EBTS) em sete cidades paulistas. Seis dos municípios contrataram a empresa sem licitação; em São José do Rio Preto, a concorrência enfrenta contestação judicial de uma empresa derrotada.
São Carlos, São Pedro, Itapecerica da Serra, Taboão da Serra e Cordeirópolis receberam R$ 297 mil cada. Araçatuba e São José do Rio Preto receberam R$ 321.750 cada. Os recursos foram indicados em outubro do ano passado e depois usados nas contratações da EBTS.
As sete prefeituras destinaram o dinheiro à aquisição de estandes virtuais de tiro para treinamento das guardas civis municipais. A EBTS tem sede em Curitiba, cidade onde Bilynskyj se formou em Direito. O dono da empresa, Adolfo Jachinski Neto, é investigado sob sigilo por suspeita de integrar um esquema de fraude em licitação milionária da Secretaria de Segurança Pública do Paraná.
Empresa derrotada questiona edital em São José do Rio Preto
Em São José do Rio Preto, a SINTRES Systems Simuladores Ltda. contestou o pregão eletrônico nº 427/2025 após perder a disputa para a EBTS. A empresa pediu a impugnação do certame em 31 de dezembro e sustentou que documentos da prefeitura reproduziram características exclusivas do portfólio da concorrente.
A SINTRES também alegou falhas na pesquisa de mercado e disse que a administração municipal deixou de considerar outros fabricantes do setor ao preparar a contratação. Cerca de dois meses antes da abertura do pregão, representantes da EBTS fizeram uma demonstração do simulador na Secretaria Municipal de Segurança Pública de São José do Rio Preto.

O vereador Alexandre Montenegro (PL) acionou o Ministério Público de São Paulo, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal para pedir apuração do caso. A EBTS indicou um escritório de advocacia para responder aos questionamentos, mas o escritório não enviou resposta. A defesa de Jachinski Neto também não foi localizada.
Bilynskyj negou irregularidades e afirmou que as emendas atenderam a pedidos das guardas civis e “respeitam todos os critérios legais aplicáveis”. O gabinete declarou que cabe às prefeituras executar os recursos, conduzir licitações e contratar fornecedores, sem participação do parlamentar nessas etapas. São Carlos, Araçatuba e Cordeirópolis afirmaram que usaram a inexigibilidade de licitação prevista na Lei nº 14.133/2021 para equipamentos fornecidos por empresa exclusiva.
A Prefeitura de São José do Rio Preto disse que três empresas participaram do pregão em igualdade de condições, que a EBTS apresentou o menor preço e teve o equipamento aprovado em prova de conceito. O município informou que a contestação foi analisada e judicializada, mas que a contratação continua válida e não recebeu apontamento de irregularidade de órgãos de controle.