O conflito de interesses por trás da previsão de Mauro Cezar sobre Lula e o fim das bets

Mauro Cezar Pereira UOL
Foto: Reprodução/UOL

O jornalista Mauro Cezar Pereira publicou no UOL uma defesa das casas de apostas em que prevê que uma ofensiva do governo contra o setor pode representar um “suicídio eleitoral” para o presidente Lula. O artigo, publicado na quinta-feira (17), apresenta argumentos fiscais, esportivos e eleitorais contra as restrições.

Mauro Cezar deixa de fora no artigo que, em abril, ele foi apresentado como embaixador da Vai de Bet. Na ocasião, o jornalista relatou ter recebido uma proposta da empresa e afirmou que a parceria já existia havia algum tempo, com projetos previstos para competições de futebol. A relação se estende em lives recentes de seu canal sendo divulgadas com patrocínio da Vai de Bet e referências à empresa como parceira.

Para o jornalista, uma regulamentação mais severa ou mesmo a proibição, afetaria cerca de R$ 1 bilhão em patrocínios anuais ao futebol e poderia colocar torcedores contra Lula, sendo que em levantamento da More in Common/Ipsos-Ipec, 68% dos brasileiros defendem a proibição do patrocínio de bets a clubes, contra 19% que preferem sua manutenção pelos benefícios financeiros.

Além disso, os próprios torcedores se manifestaram de forma crítica ao manifesto dos clubes em defesa das casas de apostas.

Mauro Cezar Pereira
O jornalista Mauro Cezar Pereira. Foto: Reprodução

A defesa econômica feita por Mauro também privilegia o dinheiro arrecadado pelo Estado e recebido pelos clubes, sem incorporar à conta o volume perdido pelos próprios jogadores. Dados do Ministério da Fazenda divulgados neste mês mostram que 43,8 milhões de brasileiros já haviam apostado em plataformas até agosto, o equivalente a 27% da população adulta. Apenas no primeiro semestre, o saldo negativo dos apostadores chegou a R$ 20,2 bilhões.

Mauro Cezar sustenta o texto em previsões bastante categóricas sobre os efeitos de uma eventual restrição às bets. No fim, transforma essa leitura em uma leitura eleitoreira bastante pragmática, afirmando que: “Com tantas grandes torcidas vendo seus times endividados e ainda mais enfraquecidos, não é difícil prever a reação de milhões deles diante da urna.”

O jornalista mantém uma relação comercial com o setor cuja continuidade defende. O vínculo não invalida automaticamente seus argumentos, mas constitui um conflito de interesses que deveria ser informado explicitamente ao leitor, sobretudo em um artigo que faz previsões categóricas sobre os efeitos políticos e econômicos de medidas contra as apostas. Ao omitir esse dado, o texto apresenta como análise independente uma posição que também o favorece diretamente.

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