
Cuba sofreu nesta sexta-feira (18) mais um apagão nacional após o colapso de seu sistema elétrico, deixando milhões de pessoas sem energia. Segundo a Associated Press, o Ministério de Energia e Minas informou que começou a ativar protocolos de recuperação do serviço depois que a rede caiu em diferentes regiões da ilha.
Segundo as autoridades cubanas, a falha começou em linhas de transmissão na região oeste e provocou o colapso do sistema até a província de Matanzas. Na sequência, a parte oriental da ilha foi desconectada. O jornal estatal Granma informou ainda que condições meteorológicas instáveis agravaram a situação. Ao anoitecer, apenas 5% dos consumidores de Havana tinham recuperado a eletricidade.
A dimensão da crise elétrica cubana não pode ser separada do cerco econômico e energético imposto pelos Estados Unidos, com os colapsos da rede se tornando mais frequentes nos últimos dois anos e que vem se agravando desde janeiro, quando Washington intensificou o bloqueio de combustível com o objetivo declarado de pressionar por uma mudança política na ilha.
Donald Trump iniciou 2026 ameaçando impor tarifas a países que fornecessem petróleo a Cuba. Em maio, o governo estadunidense ampliou as sanções para atingir pessoas e empresas ligadas a setores como energia, mineração, finanças e segurança. Em junho, Washington incluiu nas restrições a estatal petrolífera Unión Cuba-Petróleo, a Cupet.

O cerco continuou avançando. No início de setembro, os Estados Unidos sancionaram o Banco Exterior de Cuba e outras estruturas financeiras e econômicas. Na quinta-feira (17), apenas um dia antes do novo apagão, Washington anunciou outra rodada contra oito entidades e três dirigentes ligados à exploração de níquel e ao complexo militar-industrial cubano. A ofensiva se soma a outras sanções aplicadas pelo governo Trump ao longo do ano.
As restrições atingem justamente a capacidade de Cuba de importar o combustível necessário às usinas termelétricas e peças para uma infraestrutura envelhecida. O bloqueio estadunidense não explica sozinho a falha de transmissão desta sexta-feira, mas amplia seus efeitos e reduz a capacidade do país de recuperar e modernizar a rede. É nesse ponto que a política predatória de Washington deixa de ser uma disputa diplomática abstrata e se materializa na rotina da população cubana.
Mesmo quando a rede nacional funciona, moradores enfrentam cortes que podem superar 30 horas consecutivas. A combinação entre apagões e cerco energético já provocou limitações no transporte, redução da jornada de trabalho, cancelamentos de voos e impactos sobre os serviços de saúde. Cozinhar, bombear água e manter internet e telefonia também se tornam tarefas incertas em uma ilha submetida há décadas ao bloqueio estadunidense.