
A jornalista Daniela Lima afirmou que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), repreendeu o interlocutor que organizou uma reunião com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em abril de 2024. No programa “Pulso Político”, do UOL, ela contou que o magistrado disse que Vorcaro “parecia mais bicheiro do que um banqueiro”.
Gilmar ficou “pistola” após receber Vorcaro e os advogados do banco em seu gabinete no STF. A reunião tratou de uma disputa sobre precatórios do setor sucroalcooleiro que envolvia carteiras avaliadas em bilhões de reais.
O encontro ocorreu em 11 de abril de 2024. Vorcaro buscava apoio para reverter uma movimentação judicial desfavorável ao Banco Master no processo dos precatórios.
Segundo Daniela, o banqueiro foi ao gabinete do magistrado com “o cabelo penteado para trás com muito gel, um terno azul Câmara dos Deputados, a calça com a boca apertada e um sapato que brilhava a ponto de refletir a luz do teto”.
De acordo com a jornalista, Gilmar Mendes encerrou a conversa rapidamente e telefonou para quem havia pedido a agenda. “Nunca mais faça isso, porque este rapaz parece mais um bicheiro do que um banqueiro”, teria dito o ministro.
⚖️ Gilmar Mendes teria dito após encontro com Daniel Vorcaro: “Nunca mais. Ele parece mais bicheiro do que banqueiro”
Segundo relato apresentado por Mônica Bergamo, o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, também teria sido procurado por Daniel Vorcaro, do… pic.twitter.com/UyxXujVMPy
— Democráticos (@DemocratsBR) September 18, 2026
Intermediação de ex-cunhado e voto no caso dos precatórios
Chiquinho Feitosa, então cunhado de Gilmar, foi o responsável pela intermediação da agenda entre Vorcaro, os advogados do Banco Master e o ministro. Ele havia sido contratado pelo banqueiro.
Gilmar disse que estava separado e não mantinha relações com a família da ex-mulher. O ministro também afirmou que não tinha conhecimento de tratativas privadas ou contratos profissionais entre Vorcaro e o ex-cunhado.
O caso chegou à Segunda Turma do STF em junho de 2025, quando Gilmar Mendes votou contra os interesses defendidos pelo Banco Master. O gabinete do ministro citou esse voto como evidência de que a audiência não influenciou sua posição no processo.