O governo cubano denunciou nesta quinta-feira (17) as novas sanções impostas pelos Estados Unidos contra empresas e dirigentes do país. Segundo o chanceler Bruno Rodríguez, as medidas fazem parte de uma “política de máxima asfixia econômica e castigo coletivo contra o povo de Cuba”.
O pacote anunciado pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, atinge 11 alvos.
Foram incluídas na lista de sanções quatro empresas estatais ligadas à exploração das reservas de níquel, quatro instituições militares dedicadas à pesquisa e ao desenvolvimento, inclusive de sistemas de armas, e três dirigentes cubanos.
Em publicação nas redes sociais, Rodríguez acusou Washington de aprofundar a guerra econômica contra a ilha.
“O secretário de Estado volta à carga contra instituições e pessoas cubanas, como parte de sua política de máxima asfixia econômica e castigo coletivo contra o povo de Cuba”, declarou.
“O governo Trump fracassará em sua tentativa de nos dobrar. Jamais renunciaremos à nossa soberania e independência, conquistadas em quase 70 anos de Revolução”, disse.
As medidas intensificam a pressão sobre setores importantes da economia cubana. O níquel está entre os principais produtos de exportação do país, que possui algumas das maiores reservas mundiais do mineral.
As restrições impostas pelos Estados Unidos dificultam operações financeiras, afastam empresas estrangeiras e comprometem a compra de equipamentos e insumos.
A ofensiva ocorre em meio ao agravamento da escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos na ilha.
O governo cubano responsabiliza o bloqueio econômico dos Estados Unidos por boa parte dessas dificuldades e sustenta que as sanções, embora apresentadas por Washington como dirigidas a autoridades e empresas, atingem diretamente a população.
Dados divulgados por Cuba apontam que o bloqueio provocou prejuízos superiores a US$8 bilhões entre março de 2025 e fevereiro de 2026. Rodríguez já havia afirmado que as restrições norte-americanas “causam mortes” ao limitar o acesso do país a recursos essenciais.
A Casa Branca intensificou as medidas contra Havana desde o retorno de Donald Trump à Presidência. Além de atingir instituições públicas e empresas de setores estratégicos, Washington aumentou a pressão sobre o fornecimento de petróleo e sobre companhias estrangeiras que mantêm negócios com Cuba.
O bloqueio dos Estados Unidos contra a ilha vigora há mais de seis décadas. A política é condenada todos os anos pela Assembleia Geral das Nações Unidas, que cobra de Washington o fim das restrições econômicas, comerciais e financeiras.