
A Polícia Federal entregou em 17 de setembro aos gabinetes dos ministros Luiz Fux e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O envio dá aos dois acesso formal ao material que alimenta divergências dentro da Corte. Com informações de Metrópoles.
O conteúdo repassado é idêntico ao que a PF havia disponibilizado aos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes três dias antes. Fux e Mendonça pediram acesso aos dados em 16 de setembro, após uma sessão do STF que tratou de mensagens atribuídas a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes.
Antes disso, Zanin havia solicitado a Mendonça, relator do Caso Master, acesso ao conteúdo do aparelho. Mendonça respondeu que os elementos necessários para a análise já estavam disponíveis e avaliou que a divulgação integral poderia “tumultuar” a sessão do Supremo.
O relator afirmou que mantinha em seu gabinete uma cópia completa dos dados, sob lacre. Depois, a PF comunicou ao presidente do STF, Edson Fachin, que guardava outra cópia e poderia fornecer versões iguais aos ministros sem comprometer a cadeia de custódia.

Após o acesso ao material por integrantes da Corte, vieram a público conversas entre Vorcaro e Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, além de diálogos que mencionam o ministro Kassio Nunes Marques. As interpretações sobre essas mensagens integram controvérsias ligadas às investigações em andamento.
Na sessão de 15 de setembro, Mendonça disse que tomou conhecimento naquele momento das referências a colegas do tribunal. Ele também declarou que o conjunto de dados guardado em seu gabinete continuava lacrado.
O plenário analisou duas petições relacionadas ao Caso Master, mas Flávio Dino pediu vista e interrompeu o julgamento antes de uma definição sobre o mérito. Com isso, o STF não decidiu naquele dia se abriria investigação ligada às mensagens.
Gilmar Mendes criticou publicamente a atuação de Mendonça e Fux na tramitação de questões do caso. Mendonça reagiu e afirmou haver preocupação seletiva com a exposição de terceiros nas conversas divulgadas.