PF investiga se governo do Pará sacou R$ 2,5 milhões para usar na eleição

Diana Coelho e Adriano Coelho, candidato a deputado federal no Pará. Foto: Reprodução

A Polícia Federal investiga o saque de R$ 2,5 milhões em espécie de contas ligadas à Lastro, empresa contratada pelo governo do Pará, por suspeita de que os recursos abasteceriam campanhas eleitorais, segundo a coluna de Natália Portinari no UOL. A empresa pertence a Diana Coelho, mãe de Adriano Coelho (MDB), candidato a deputado federal, e de João Coelho (PDT), candidato a deputado estadual em Belém.

Agentes prenderam em flagrante dois funcionários dos empresários após acompanharem a movimentação bancária. Adriano e João Coelho são investigados sob suspeita de compra de votos, enquanto a apuração tenta identificar a origem e o destino do dinheiro.

A investigação começou após uma denúncia anônima recebida na véspera do saque. O denunciante afirmou que Diana movimentaria uma “quantia milionária desviada da educação do Pará” para campanhas de familiares e indicou uma agência do Banpará, em Belém, como local da operação.

Horas depois, a fonte acrescentou que policiais fariam a segurança e o transporte do numerário. A PF consultou registros bancários e verificou que Diana e a Lastro mantinham chaves Pix ativas na agência indicada, o que levou à vigilância no entorno do banco.

R$ 2,5 milhões em dinheiro vivo apreendidos no Pará. Foto: Divulgação/PF

Contratos com a Secretaria de Educação entram na apuração

Um delegado autorizou o acompanhamento discreto de Diana, de seu marido, Marco Antonio de Sousa Coelho, e de um veículo ligado ao grupo. A ordem previa prisão em flagrante se o saque se confirmasse, pois a investigação considerou a hipótese de ocultação de valores.

A Lastro recebeu R$ 27 milhões do governo paraense desde 2024, conforme dados reunidos pela PF. Pouco mais de uma semana antes do saque sob investigação, a Secretaria de Educação do Pará pagou R$ 4 milhões à empresa.

Marco Antonio comanda a Marco Coelho Serviços, companhia que recebeu R$ 144,2 milhões da Secretaria de Educação desde 2016, segundo a Controladoria-Geral da União. A empresa mantém contratos para fornecer agentes de portaria à rede estadual, que alcançam R$ 257,8 milhões após aditivos; dois deles continuam em vigor.

A PF também apontou que Diana declarou remuneração de cerca de R$ 5 mil em agosto, valor distante da quantia movimentada. Diana e Marco Antonio doaram R$ 42 mil à campanha de João Coelho para vereador em 2024 e R$ 35,3 mil na eleição de 2020. Os candidatos, os empresários e o governo do Pará não responderam aos pedidos de manifestação.

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